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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Contra todas as probabilidades, robalo de 9,170kg




Há quem acredite nas coincidências ou num destino pré definido. 
Por norma tento encontrar explicação nos acontecimentos ou na sua interligação, explicar aquilo em que não acreditámos é um exercício bem mais difícil, pelo menos assim o é para mim. 
Na prática todas as decisões que tomámos ao longo da vida têm a sua influência no futuro, às vezes com consequências imprevisíveis condicionadas por pequenas decisões. 

Na pesca assim o é também, estar na altura certa e no lugar certo por vezes pode ser um exercício matemático de probabilidades mas há momentos que todas as probabilidades podem ser derrotadas ou em que simplesmente o improvável acontece. 

Com muito prazer que me identifico com a pesca, sempre assim o foi desde que me recordo de ter memória. 
A pesca esteve comigo desde sempre e eu sempre estive com a pesca, tive a felicidade de viver momentos inesquecíveis a pescar em criança, adolescente e já em adulto, não se pode viver do passado mas é igualmente impossível viver sem recordar o mesmo, penso que vivi na pesca dia após dia com objectivos diferentes, à distancia do tempo penso que consegui atingir todos os objectivos a que me propus, ao longo dos últimos anos acho que desfruto da pesca na sua plenitude, já não me preocupava em apanhar peixes grandes ou tentar descobrir aquele segredo guardado a sete chaves por alguém, já à muito que deixei de acreditar em amostras ou técnicas infalíveis, a idade acabou por fazer o seu trabalho. 

 Falando de robalos faz já muitos anos que tinha batido a barreira dos 8 kg num fim de tarde na foz do Douro algo que por aqui já escrevi. 
 Em média no fim de um ano devo pescar entre 3 a 4 vezes por semana, depois dessa tarde nunca mais bati essa barreira, fiz pescas brutais, apanhei peixes grandes, a barreira dos 6 e7 kg bati várias vezes, a partir dos 8 nunca mais, imaginem o numero de vezes que já pesquei depois disso, penso sinceramente que depois desse dia ferrei 2 peixes que podiam bater esse peso, perdi os dois. 

Voltando atrás no texto, coincidência ou não nesse fim de tarde que apanhei o peixe peguei na cana para fazer tempo para o Jantar que por sinal até ia ser uma reunião familiar como agora ainda o fazemos semanalmente, nesse final de tarde apanhei esse peixe e mais três, todos eles excelentes peixes, um peixe acima dos 6 e dois entre os 3 e os 4 kg., dificilmente esquecerei esse dia porque foi o dia em que capturei o meu maior robalo mas também porque foi uma coincidência ter ido pescar, não tinha nada planeado e nem sequer a maré era das mais indicadas para aquele local, lá estão as probabilidades a enganar ou apenas o improvável a acontecer. 

Sempre tentei ser o mais racional possível na pesca (retirando a parte das aquisições das amostras), sempre gostei de ir preparado para diversos cenários no entanto existiram pescas atípicas e sem qualquer tipo de condições e planeamento que me fizeram crer ao longo dos anos que na pesca basta ir pescar, concordo que há padrões, existem factores, condicionantes, muitos já abordei por aqui e penso que temos que padronizar as nossas pescas para aumentar as capturas, saber o porquê das grades e das capturas é importante em pescas futuras mas esquecemos sempre o improvável. 

No mês de Dezembro por norma pouco pesco, por razões que nem sequer são pertinentes para este texto, mas as vezes que vou pescar são mesmo muito reduzidas. 

O mar há vários dias que não tinha condições para pescar, observava-o diariamente e poderia existir uma pequena janela para pescar numa quarta-feira pelas previsões do Windguru, essa bela ferramenta que tantas vezes nos engana. 
A Quarta feira chegou e de manhã como habitual fui ver o mar, bem… nada de especial e muito forte ainda, a janela prevista estava para depois do almoço, na véspera tinha comentado com dois amigos que ia lá pescar uma hora mas a vontade já não era muita depois do que tinha visto pela manhã. 

Depois do almoço, pego na cana e carreto e começo o ritual da escolha das amostras amostras, só que a meio desisti, decidi levar a cana, o carreto, uma caixa com zagaias e meia dúzia de vinis tudo dentro de uma mochila estanque, decidi ir pescar de waders algo também que raramente vou fazendo. A motivação estava em baixo, aquelas condições não me despertavam confiança. 

 Ao sair de casa ligo ao Valadas a perguntar onde andava, estava num pesqueiro mas o mesmo não tinha condições e decidimos encontrarmo-nos noutro, quando já cheguei lá estava ele a fazer o seu famoso nó, enquanto ele tratava do terminal fui ver o pesqueiro e com aquele vento e sem água naqueles caneiros a sorte parecia que não ia ser muita. 
Combinámos então ir ver um outro e nesse as condições eram melhores só que o vento era insuportável, lembro-me de estar a vestir o wader e a pensar “ que perca de tempo, devia ter era juízo”. 

Lá fomos os dois e retirando o vento o mar até estava com algumas condições, pescável mas no limite, um caneiro, dois caneiros e nada, na verdade sinceramente não esperava capturar nada. 

O Valadas a determinada altura pescava com uma Saltiga e exaltava as qualidades da mesma, eu continuava com uma zagaia a lançar em leque, lembro-me de ter trocado o atrelado da mesma duas vezes, falávamos do pesqueiro e dos peixes que já se perdeu devido à dificuldade do mesmo, muitas pedras e para complicar pescámos a cerca de 2/3 metros da água. 
  Até que o improvável acontece: ferro um peixe e o que acontece a seguir as palavras serão sempre escassas para retratar: 

Ferro o peixe e a cana dobra automaticamente como se de uma mola se tratasse, o peixe inesperadamente não leva linha, sobe à superfície, chega à superfície debate-se com força e começa um corrida para o fundo, lembro-me de estar com o peixe e de ouvir o Valadas a comentar que quando o peixe bateu na superfície pensou que fosse a onda a bater num floreado rochoso meio submerso que lá tem, o peixe pedia linha e linha ele teve, a girar a manivela ao contrário pensava como haveria de tirar o peixe da água. 

O mais difícil estava para vir, porque naquele ponto de maré não conseguíamos chegar à linha de água para cobrar o peixe, sabia que não podia encostar o peixe às pedras sem saber em que sitio o tinha que fazer, a única hipótese era segurar o peixe fora e pensar como o cobrar, o problema é que esta não é daquelas situações que nos podemos sentar e pensar como fazer, ou tomámos decisões rapidamente ou adeus peixe. 

O Valadas e bem dizia para segurar o peixe fora, só que pescávamos paralelos à rebentação com a agravante que tinha pedras pela minha direita e esquerda, todas altas, o peixe para ser cobrado tinha que ser pelo sitio onde nos encontrávamos além de ainda não saber onde iria encalhar o peixe o mesmo lutava e com a rebentação a empurrar o peixe no sentido das pedras à minha direita. 
 Tentei descer a pedra pela esquerda, o Valadas dizia que por aquele sitio não ia dar e tinha razão, voltei a subir e olhando para a direita descubro uma pequena hipótese: descer a pedra onde me encontrava e saltar para outra, mesmo assim não chegava à agua, o salto não era difícil, o peixe já se encontrava cansado, o problema era a rebentação que teimava em arrastar o peixe para as pedras e sempre que vinha uma vaga tinha que forçar o peixe para ele não ser arrastado, só tinha que saltar e manter a linha em tensão, assim pensei e assim o fiz, mais próximo da água já estava, mas o metro que faltava pareciam 10 metros, o Valadas já me tinha seguido e foi graças a ele que surgiu a solução: A ideia seria arrastar o peixe por cima de uma pedra com a ajuda da vaga, quando a vaga passava a pedra enchia igualmente um buraco entre pedras, nesse buraco o Valadas conseguia chegar ao peixe, o único senão era que se não o conseguisse agarrar na primeira tentativa a água iria recuar  e o buraco ficaria sem água e o peixe iria acompanhar a descida da água, se isso acontecesse o mais certo seria perder o peixe. 
Era uma hipótese… Convenhamos que era a única possível, esperámos pela vaga certa e forcei o peixe com o material no limite quase a ceder à rebentação, arrasto o peixe por cima da pedra e assim que o peixe cai no buraco o Valadas consegue agarrar o peixe pela guelra. 

Foram dez minutos de adrenalina ao máximo com algumas gargalhadas pelo meio, sabia que era um peixe grande mas só tive a real noção quando dei a mão ao Valadas para o puxar para cima e ele o colocou aos meus pés. 

Recordo muitos pormenores da captura mas dificilmente esquecerei a alegria que ambos sentíamos, lembro-me que ficamos durante uns breves segundos em silencio a olhar para o peixe e depois foi a explosão de alegria. 

O improvável aconteceu: condições péssimas para pescar, pesqueiro de dificuldade extrema e um robalo de 9.170 gramas, depois de tantos anos bati novamente a barreira dos 8 kg. 

Tenho a perfeita noção que um peixe deste tamanho não define um pescador, porque poderia pescar dia após dia e nunca encontrar um peixe desse calibre, tenho noção que o improvável, a sorte e o destino tiveram comigo nesse dia mas também teve o Valadas que sem ele era impossível cobrar aquele peixe, aliás tenho sérias duvidas que um pescador sozinho naquele local conseguisse cobrar o peixe. 


Para terminar quero dizer que são estes momentos que só os pescadores verdadeiramente apaixonados entendem, na memória ficará o peixe mas fica igualmente a alegria do genuína do Valadas com a captura, se levo muitos anos a pescar o Valadas ainda mais, e quando estamos presentes em alegria genuína tudo tem um sabor diferente, uma pureza que não merece ser manchada por palavras, ao Valadas o meu obrigado. 
Mais tarde apareceu outro amigo: o Pedro e depois o meu irmão com outro amigo o Marcos, e durante 30 minutos o peixe foi o Rei. 

Quem vai acompanhando o robalos na alma sabe que não faço relatos de pescarias com frequência, quando criei o blogue  necessitava de um espaço para colocar algumas ideias, eram quase inexistentes  os blogues de pesca no  Norte de Portugal, tentei durante anos ir mantendo este espaço com imparcialidade e completamente isento de marcas ou correntes de opinião do exterior, o relato de hoje é para partilhar uma das coisas mais puras que tenho: 

 O prazer de pescar, a alegria que tenho de saltar de pedra em pedra, de sentir o cheiro a maresia e de sonhar com os peixes, o momento em que deixar de sentir esse prazer ou ilusão a pesca perde o sentido, nunca criei este espaço para gáudio pessoal, o que me interessava partilhar era uma paixão.. 

Nunca me arrependi de nada na minha vida, este espaço também faz parte de uma etapa, é chegada a altura de me ausentar deste espaço, quando faço algo tenho que o fazer com gosto, paixão e dedicação, há alturas que os níveis de saturação atingem picos e é nessa fase que me encontro faz já largos meses, chegou a altura de oxigenar e perspectivar, desligar a ficha por vezes é importante e é o caminho que neste momento decidi. 

Voltarei ao robalos na alma isso vos posso garantir, se daqui a 2 meses ou daqui a dois anos não faço a mínima ideia, prometo que um dia voltarei aqui a escrever. 

A todos os que foram visitando e participando neste espaço o meu sincero agradecimento, graças a este espaço conheci pessoas fantásticas e só por isso já valeu a pena ter iniciado este espaço 

Pesquem e estimem esta paixão maravilhosa, continuem a perseguir os vossos objectivos e continuem a sonhar com peixes grandes, seguirei perseguindo os peixes, com a mesma ilusão de quando era um miúdo, no fundo pescar é sonhar e quando perdemos a capacidade se sonhar perdemos um pouco da nossa condição humana

Faço esse interregno com a mensagem que ainda há peixes grandes daqueles que aparecem nos nossos sonhos mesmo que por muito mais improvável que pareça vale a pena pescar, vale a pena continuar a sonhar..

A pesca é um destino que nos amarra, com sol ou à chuva , de noite ou de dia quando as probabilidades assim o entenderem encontrámo-nos numa praia,até um dia amigos, bem haja a todos..


sábado, 10 de novembro de 2012

O spinning não é superior



Gosto de pescar porque me alivia a alma, o verbo aliviar é um verbo engraçado, populista até,  se me perguntarem se fico aliviado quando vou pescar e entrando agora no campo dos adjectivos na realidade até são muitos os momentos na pesca que não consigo adjectivar, são momentos polarizados, antagónicos e absurdos: 
Levantar cedo, roubar tempo ao descanso físico para chegar ao mar e ver o mar cravejado, minado e poluído de redes, ver pesqueiros em que o marisco é completamente rapado sem critério algum, (depre)apreciar pequenas multidões na maré vazia a varrer os pesqueiros,.. Não, não se pode dizer que me alivia a alma, não posso ficar aliviado quando vejo um património a ser delapidado, um património que não é meu, é de 10 milhões de Portugueses.. 

Não, não fico aliviado quando vejo pescadores de spinning a descer a areia e a olharem de soslaio e até desdém para um velho pescador de surf casting, 

Não fico aliviado quando a  pesca se torna numa passagem de modelos em que os pescadores de spinning descem a areia a caminhar em bico de pés, com a sua cana de carbono em altíssimo módulo, com o seu grip à cintura,  em coldre ou estrategicamente colocado com o seu extensor , coletes à prova de bala, de água e de quedas, não, não fico aliviado mas em boa verdade se diga que já dei boas gargalhadas a escrever este parágrafo quando mentalmente me ocorreram algumas passagens. 

Não, não fico aliviado quando os pescadores de spinning levam para o campo do exagero as suas teorias matemáticas sobre a pesca, os materiais e mais algumas divagações egocêntricas. 

Não, não fico aliviado quando vejo pescadores de spinning com dois ou três anos de experiência a debitar discursos roubados , ideias por outros construídas sem reconhecer o verdadeiro tempo de aprendizagem , a experiência como algo intrínseco e necessário na pesca, como em muitas outras coisas na vida, porque ainda não perceberam que a pesca acaba por ser uma aprendizagem individual mas também  colectiva e sempre infindável , que todas as teorias podem cair por terra porque lidámos com seres vivos, com vontade própria e um instinto de sobrevivência notável. 

No outro pólo, fico aliviado quando vejo os velhos pescadores de surf casting a apanhar mais robalos que os modernos pescadores de spinning, fico muito aliviado quando aprecio o velhinho pescador de buldo a travar o bulrag na restinga e a provocar um ataque de um robalo mais voraz… 

Fico aliviado no sentido mais puro do adjectivo quando constato que os robalos e todos os outros  peixes não escolhem por quem são capturados, não ligam a títulos académicos nem a pescadores que possuem centenas de amostras, não escolhem as amostras ou os iscos porque são de origem japonesa  a até foram muito caros.. 

Realmente o bom material ajuda, ajuda os bons pescadores a serem melhores pescadores mas apenas o material não vai fazer de ninguém pescador e infelizmente alguns (pseudo) pescadores só aprendem a ser humildes através dos peixes que teimam em não se deixarem enganar por eles.. 
 Não,não sou contra a evolução nos materiais, até muito pelo contrário, adoro experimentar e aproveitar novas janelas de oportunidade, sou é contra a falsa permissa que os pescadores de spinning estão num degrau acima de outros pescadores que usam outras técnicas e que até não têm capacidade financeira para mais.

Fico aliviado quando constato que ainda há peixes grandes no mar no meio de tantos atentados.. 

Fico aliviado porque há pessoas fantásticas na pesca, como na vida, repletas de sabedoria, mas todas essas sem excepção são de uma humildade e liberdade de pensamento admiráveis, possuem uma mente aberta mas  têm um bom senso e um sentido prático inabaláveis  

E por fim quase me esquecia , a desova já começou em alguns lugares,pesquem em consciência e com consciência, a partir de agora é muito mais fácil tropeçar em grandes exemplares para a alegria dos mais egocêntricos que infelizmente aparecem em todos os lados. 

Os pescadores de spinning não são superiores aos outros, convém alguém relembrar isso de quando em vez.

domingo, 21 de outubro de 2012

Adeus laminárias




Esta não é uma história nova , é um acontecimento que é ciclico, é a pesca com zagaias tradicionais de origem do Norte de Portugal..

Antes de existir o spinning como agora o conhecemos já tinha nascido esta pesca..

Depois de uma férias merecidas com a familia e antes de voltar às obrigações profissionais tive tempo  ainda de fazer umas incursões pelos pesqueiros habituais, depois de duas semanas a pescar peixes que não estou muito habituado até que sabe bem voltar a sentir o cheiro a maresia das praias adjacentes à foz do Douro.

As laminárias tinham desaparecido, mares mais formados e parece que há um chamamento por um artificial a imtemporal zagaia..

No dia que capturei o peixe da foto,infelizmente larguei um peixe bem maior, que não me deu hipótese ao contornar um afloreado rochoso..

3 dias seguidos com peixe nos pesqueiros e apenas atacavam zagaias...


Adeus laminárias, olá zagaias!

Dá que pensar este artificial, amostras nipónicas de ultima geração muitas vezes não têm a minima hipótese de competir com as zagaias tradicionais..

Muitas amostras apanham peixes, peixes de kg atacam com relativa facilidade  muitos artificiais mas esta é talhada para peixes record..

Conheço excelentes pescadores que tem enormes dificuldades para serem eficazes com estes artificias, conheço quem tenha demorado anos a apanhar peixes dignos de registo com elas..

Altamentte eficaz e altamente controversa..

Boas pescas amigos e peço desculpa a alguns mails e mensagens que não tenho respondido mas tenho andádo alheado da Internet, ando onde sou muito feliz, junto ao mar a pescar!








quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Truta desaparecerá da Península Ibérica em menos de 100 anos


Truta desaparecerá da Península Ibérica em menos de 100 anos
06.09.2012
PÚBLICO
 " Em 2040, a truta terá perdido metade do seu habitat na Península Ibérica; em 2100 terá praticamente desaparecido, segundo um estudo de investigadores espanhóis publicado na revista Global Change Biology.
A poluição, as alterações climáticas, a extracção de água para rega e a sobre-pesca são as causas apontadas pela equipa de Ana Almodóvar, da Universidade Complutense de Madrid para a provável extinção das populações de truta-marisca (Salmo trutta), na Península Ibérica, antes de 2100.

Os investigadores analisaram o registo de temperaturas de Navarra entre 1975 e 2007 e, mediante um modelo matemático, calcularam a temperatura da água dos rios da região. Além disso, a equipa monitorizou a população de trutas em 12 rios da bacia do rio Ebro e observou que o aumento das temperaturas detectado estava associado a uma diminuição das populações deste peixe.

“No melhor dos cenários – o que considera alterações climáticas mais ligeiras –, a situação da truta é desastrosa”, afirma a investigadora ao serviço espanhol de notícias de ciência SINC (Scientific Information and News Service). Os resultados do estudo são aplicáveis a outras regiões ibéricas e mediterrâneas. “A região do Mediterrâneo é uma zona muito vulnerável às variações climáticas e à diminuição da disponibilidade de água”, acrescenta Ana Almodóvar.

“Até agora intuía-se que, devido às alterações climáticas, as populações de truta dos países do Sul da Europa seriam mais afectadas do que as do Norte. Mas faltava um estudo concreto”, diz a investigadora.

A truta Salmo trutta está classificada como espécie Criticamente em Perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Apenas as populações dos rios Minho e Lima apresentam a forma migradora (e não a forma sedentária), ou seja, aquelas cujos peixes eclodem em água doce e, passados um a dois anos, migram para o mar onde crescem até à maturação sexual.

Só depois regressam aos locais de nascimento para se reproduzirem, normalmente zonas de baixa profundidade, com velocidades de corrente moderada e bem oxigenadas e sem poluição."

Noticia retirada do Publico online
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1561916


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A temperatura da água no spinning

Por vezes nem tudo corre como queremos é assim na pesca e é assim na vida.. Gosto de pensar que a vida é feita de oportunidades, de pormenores, de decisões certas e erradas e de caminhos que escolhemos, na pesca as coisas também funcionam um pouco assim..

 Como sabem não gosto de fazer relatos de pescarias, não foi um dos propósitos do blogue quando o iniciei e não o será agora, respeito quem o faça e há excelentes espaços que reflectem esse espírito..

  Hoje vou falar de como correu o fim das jornadas de pesca em Julho , em que  alguns pormenores podem fazer a diferença,neste caso a temperatura da água

 Uma das vantagens de poder pescar nas praias adjacentes à foz dos rios, no meu caso concreto o Douro, é que beneficiamos directamente da sua influência nos peixes e nos seus ciclos. No ultimo mês de Julho a água do mar esteve com uma temperatura baixa para a época, a rondar os 15 graus ,não fazia adivinhar grandes resultados na pesca, em conversa com amigos sabia que a actividade do peixe era baixa , os relatos deles confirmavam o que pensava, temperatura do mar baixa actividade dos peixes muito reduzida.
 Sei por experiência de anos passados que com águas tão frias e o vento Norte a soprar intensamente o peixe entra no estuário , e mais uma vez este ano as coisas foram assim, durante um mês o peixe andou por vários km de estuário o que proporcionou excelentes momentos de pesca , pescar dentro de estuários é engraçado mas cansa pelo ambiente em si,

 Estava atento ao que se passava no mar e tinha chegado a altura de ir fazer umas brincadeiras na costa e porquê?
 A temperatura do mar subiu, o vento Norte acalmou durante uns dias e era previsível que ia haver capturas na costa, assim foi com algumas capturas diurnas à superfície , pelo silencio da noite os jerks mostraram todas as suas potencialidades e existiram momentos com várias capturas interessantes , foram várias jornadas de pesca em cenários de costa bem diferentes mas com capturas engraçadas e interessantes.
Faço spinning todo o ano e considero relativamente fácil apanhar robalos de Inverno, de Verão a história é muito diferente , falámos de uma pesca com um grau de dificuldade maior , o prazer que retiro de Verão é muito mais recompensador, as condições climatéricas são muito mais confortáveis, o material usado mais light e há menos pescadores nas praias
 Penso que na pesca há dias que pormenores não fazem diferença mas esses mesmos dias são escassos ou residuais, na maioria das nossas saídas de pesca são a soma de vários pormenores que fazem a diferença.

 Há um que é importante e que em todos os registos marca a diferença e a maneira com temos que abordar a jornada da pesca: a ÁGUA, muitas das vezes temos discussões, falámos de luas, de linhas, de canas, de animações mas por vezes esquecemo-nos do óbvio : a água que é onde habitam os nossos alvos.

 Ora vejamos :
 As cores das amostras são escolhidas em função da tonalidade da água em grande parte das vezes.

 O estado da ondulação obriga-nos a usar artificiais que se adaptem a mares mais ou menos formados, A mesma ondulação pode ou não provocar as condições ideais para os diferentes pesqueiros na costa.

 A temperatura da água , a temperatura por si só influencia a actividade predatória dos robalos e a movimentação de cardumes de peixes presa. Que nos adianta termos a lua perfeita( para aqueles que acreditam na sua enorme influencia na pesca) e um mar de 4 metros ? Ou temperaturas da água na casa dos 13 graus? Adianta muito pouco.. Quem manda é a água..

 As fotos não estão grande coisa mas por telefone são as possiveis..

quarta-feira, 25 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Jumping fishing

Há um tipo de pesca que um amigo meu apelidou de Jumping fishing em ironia ,devido ao exacerbado catalogar de variantes de spinning que nos invadem constantemente como se de algo de muito inovador ou diferente tivesse surgido .
Jumping fishing porque ando de carro em pesqueiro em pesqueiro à procura de determinadas condições..

Hoje ao contrário do que é habitual vou fazer neste espaço um relato de pesca.




As águas costeiras têm estado excessivamentefrias e ventos de Norte constantes colocam os peixes em águas estuarinas como é habitual nesta altura do ano.~

Fui fazer o reconhecimento diurno , a pé fiz cerca de 3 km de rio, era simples o que procurava: cardumes de tainhas de pequeno tamanho e robalos encostados a estruturas ou em passeio,preocupava-me mais encontrar as tainhas do que os robalos, sabia de anosanteriores que não ver os robalos era indiferente, pois iria pescar de noite , altura de eleição para pescar quando os robalos saem do abrigo dos fundões para pescar ou entram com a maré , pelo menos no Douro, seipor amigos meus e por algumas brincadeiras minhas que há outros estuáriosbem interessantes de dia, no Douro por norma de dia o peixe é muito pequeno e não eram esses peixes que procurava.

Encontrar tainhas no Douro é tarefa fácil, existem aos milhares para não dizer milhões, encontrar cardumes  de tamanho reduzido em quantidade suficiente para desencadear emboscadasdos robalos é um pouco mais complicado.

Encontrei três locais com as condições que eu queria, tainhas em número suficiente, uma orografia de margem interessante para pescar e ainda tinha visto dois robalos num desses pesqueiros.

Saí de casa depois do Jantar ,aproveitei para pôr a conversa em dia com amigos de uma vida inteira  que tal como eu cresceram a nadar e a brincar nas margens do Douro, algo pouco aconselhável nos dias de hoje, as crianças de hoje não se podem sujar muito…
 Algumas breves histórias típicas de pescador e era chegada a altura de ir pescar porque corria orisco de não apanhar o ponto de água ou maré no qual queria pescar.

Chegado ao primeiro pesqueiro não vi as tainhas, algo que não me agradou, decidi fazer meia hora de pesca se nada sentisse iria largar ferro para outro pesqueiro, passado 30 minutos já estava dentro do carro a caminho de outro pesqueiro pois o primeiro foi uma aposta falhada.

No segundo pesqueiro ainda estoua colocar a mochila em cima da pedra quando ouço na água um grande estrondo…Conhecia aquele som, era o som de um robalo a atacar tainhas, são estes momentos que todos nós pescadores desejámos, sonhámos de olhos abertos e nos tiram o sono de noite.

Armado de speedmaster de 2.10 mt stradic 2500 Fa toca a enviar pedaços de plástico para a água…

 Comecei com sammys 85, variava velocidade de WTD e nada , passei por 4 cores diferentes; totalmente negra , totalmente laranja, uma crome e ainda uma tainha em cores naturais,fiz pausas longas, menos longas e nada… Entretanto assisti a mais dois ataques daqueles peixes que eu procurava.. Algo falhava e era eu porque o peixe estava lá , só me faltava encontrar o padrão..

Fiz passagens com z claw, com zara spook e com sammys 65, tentei a bent minnow e nada, nem um ataque..

Começava a ser reduzido à frustração de não conseguir enganar um peixe, nem um ataque…
Tentei os jerks: FM de 80, Arnaud,Pointer e Staysee nada funcionava, nem cores nem animações diferentes.

Teria que ir para os vinis , via as tainhas em constante agitação, via um ataque de tempos em tempos, sabia que os peixes continuavam no pesqueiro, podiam estar relutantes em atacar à superfície e andar a caçar em  capas de água mais fundas.~

Descarreguei vários vinis em várias gramagens, desde o conceituado rolling shad até ao comum fluke , foi de tudo para  a água em várias gramagens e animações…~

Carreguei muitas grades e o prenuncio de tal acontecer não me estava a agradar nada porque sabia se tal acontecesse a culpa era minha , porque os robalos, esses sim estavam lá, faltava-me a arte para os enganar..

Decidi sentar-me e olhar bem para as caixas que tinha na mochila..
Tinha 3 armas diferentes para ir à agua,  buzz jet, um  heddon magnum torpedo e o javallon este ultimo responsável pela captura dos meus maiores peixes em estuário.~

Foi com o Javallon que tentei e depois de meia dúzia de lançamentos novamente a incapacidade de provocar um ataque apoderasse de mim , optei pelo buzz jet , um artificial que já me tinha dado umas alegrias mas sempre ao amanhecer mas nada…

Resignado foi com pouca  esperança que coloquei o torpedo, a maré estava já a entrar na reponta e só teria mais 30 minutos de pesca naquele local sem que a corrente forte se fizesse sentir..

Primeiro lançamento com o torpedo,3 toques» pausa » 2 toques » pausa e um ataque brutal, cana completamente dobrada e a manivela a trabalhar a grande velocidade, de tal maneira queaté me estava a magoar o dedo indicador, como sabem e como já por aqui escrevi não utilizo o drag, pesco sempre em backrelling , o peixe perdiajá força e era altura de o cobrar assim o fiz  , faltava-me contornar duas pedras e encalhar o peixe numa reentrância , algo que errei e falhei redondamente levando o terminar  de 0.30 mm a roçar numa pedra e a partir..

 Estava oficialmente aborrecido, para usar uma palavra mais gentil, porque por burrice minha perdi um belo peixe e ainda por cima com uma amostra na boca..

O torpedo era o único que tinha,com hélices só dois buzz jets, terminal novo e vai buzz jet para a água novamente mas como anteriormente nada mexeu .~
 
Lembrei-me subitamente que um amigo meu do Reino dos Algarves  me tinha oferecido gentilmente uma Marota,amostra que eu transportava no carro ainda no envelope dos CTT, nem seria uma amostra para pescar mas sim para guardar para a posteridade.

Decidi subir a margem e dar um salto ao carro, e desci novamente com a marota na mão..
Na verdade e sem grande explicação os peixes queriam eram amostras com hélices, porque com a marota fiz duas  excelentes capturas que mostram claramente que em estuário há  excelentes exemplares à nossa espera, infelizmente a maré começou a sentir-se e as condições para pescar tinham terminado..

Voltei ao estuário mais 4 vezese não consegui uma única captura com amostras de hélices, os  vinis e as habituais passeantes mostraram os seus créditos mas hélices não..

A pesca é uma constante demanda de conhecimento e reflexão, sinceramente em condições iguais noutras noites fiz boas capturas com as amostras que acima mencionei, sem saber o porquê nesta noite especifica as hélices provocavam ataques.

 A foto não é grande coisa mas foi a possivel via telefone