sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Pescar trutas na Patagónia Chilena
Uma realidade bem distante da nossa....
Sete dias de alojamento e guia a partir de 7000 dólares , numa escala à nossa realidade e dos nossos ecossistemas pode ser que um dia o Estado veja o dinheiro que anda a perder ao não gerir eficazmente as nossas massas de água, vale a pena ver e ouvir, gostei da parte em que o guia a diz que as trutas são tão selvagens que atacam moscas com os terminais a dragar água...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Max Rap Long Range Minnow
Em pleno período de desova as hipóteses de capturar bons exemplares aumentam consideravelmente, a água do mar está nos 12.5º o ideal era que aumentasse um pouco mais, de qualquer das formas os peixes já vão dando alguns sinais da sua presença, este ano provavelmente a desova começou mais tarde devido ao prolongamento da temperatura da água do mar acima da média até ao inicio de Novembro, os robalos precisam de sinais para iniciar os seus ciclos e penso que a temperatura da água será um desses sinais ou catalisadores.
Em semana de lua cheia penso que o mar recompensará os que por lá passarem, a ver vamos se o vento dará tréguas, ses profissionais não conseguirem armadilhar todas as entradas de caneiros algumas boas surpresas poderão aparecer..
Infelizmente na zona que pesco as águas ficam facilmente tapadas sendo que as tradicionais zagaias continuam a ser rainhas com esses tipos de águas e peixes mais posicionados em capas de água mais profundas.
Felizmente ou infelizmente vou experimentado as novidades que o mercado vai lançando, muito mais do mesmo, alguns flops e algumas amostras interessantes, a surpresa dos ultimos tempos foi a Max Rap Long Range Minnow, para quem como eu não é adepto de amostras sobre dimensionadas esta amostra deixava-me com curiosidade, na realidade o seu tamanho para mim é o mais polivalente na pesca aos robalos, prefiro sem duvida amostras até aos 14 cm de comprimento, acima disso só para situações mais especificas e quando quero lançamentos olimpicos. Sendo uma Slow Sinking pensei que os lançamentos fossem interessantes mas na realidade surpreenderam-me pela positiva, saem sempre bem direccionados mesmo em situações de vento não faz o típico helicóptero.
Com um Wobbling aberto as suas potencialidades são revelados com Jerkings rápidos , ainda não capturei nenhum peixe de noite com ela , na realidade também ainda não tive as águas limpas o suficiente para praticar spinning com eficácia suficiente.
A cor que mais peixes me deu foi a FPCO principalmente ao cair do dia ao contrário da FMU que ainda não fez um peixe e que na versaõ max rap 15 tantas alegrias já me deu.. Coincidencias? Não sei, quem sabe..
Só realço os triplos com que as mesmas vem equipados, odeio anzois negros para usar em água salgada, troquei os triplos das amostras todas e aconselho vivamente a fazerem o mesmo
Em semana de lua cheia penso que o mar recompensará os que por lá passarem, a ver vamos se o vento dará tréguas, ses profissionais não conseguirem armadilhar todas as entradas de caneiros algumas boas surpresas poderão aparecer..
Infelizmente na zona que pesco as águas ficam facilmente tapadas sendo que as tradicionais zagaias continuam a ser rainhas com esses tipos de águas e peixes mais posicionados em capas de água mais profundas.
Felizmente ou infelizmente vou experimentado as novidades que o mercado vai lançando, muito mais do mesmo, alguns flops e algumas amostras interessantes, a surpresa dos ultimos tempos foi a Max Rap Long Range Minnow, para quem como eu não é adepto de amostras sobre dimensionadas esta amostra deixava-me com curiosidade, na realidade o seu tamanho para mim é o mais polivalente na pesca aos robalos, prefiro sem duvida amostras até aos 14 cm de comprimento, acima disso só para situações mais especificas e quando quero lançamentos olimpicos. Sendo uma Slow Sinking pensei que os lançamentos fossem interessantes mas na realidade surpreenderam-me pela positiva, saem sempre bem direccionados mesmo em situações de vento não faz o típico helicóptero.
Com um Wobbling aberto as suas potencialidades são revelados com Jerkings rápidos , ainda não capturei nenhum peixe de noite com ela , na realidade também ainda não tive as águas limpas o suficiente para praticar spinning com eficácia suficiente.
A cor que mais peixes me deu foi a FPCO principalmente ao cair do dia ao contrário da FMU que ainda não fez um peixe e que na versaõ max rap 15 tantas alegrias já me deu.. Coincidencias? Não sei, quem sabe..
Só realço os triplos com que as mesmas vem equipados, odeio anzois negros para usar em água salgada, troquei os triplos das amostras todas e aconselho vivamente a fazerem o mesmo
Deixo a foto de um peixe da semana passada da ultima quebra de mar, o mesmo foi capturado com a cor FPCO.
Penso que nos próximos dias os robalos vão dar alegrias a alguns , vençam o frio porque eles vão aparecer..
Esperemos...
sábado, 31 de janeiro de 2015
À conversa com Fernando Encarnação
Um dos objectivos a que me tinha proposto nesta nova etapa do robalos na alma era publicar uma série de conversas com as mais diversas personalidades ligadas à pesca desportiva Nacional.
Durante os próximos tempos irei publicar várias conversas , desde a praticantes , importadores , a pessoas com responsabilidades acrescidas na pesca...... muitos temas vão passar por este espaço..Alguns consensuais, outros polémicos e outros do interesse de todos.
Fazia todo o sentido começar este tipo de publicações com alguém que com o seu trabalho me inspirou a iniciar o Robalos na Alma, um excelente pescador e alguém que admiro por todo o altruismo que vai tendo em tempos tão complicados na pesca em Portugal, falo de Fernando Encarnação, cruzei-me com o Fernando em vários fóruns de pesca antes mesmo de ele ter iniciado o seu Blogue,o Fernando é criador do blogue Oceanusatlanticus, um dos primeiros blogues sobre pesca desportiva em Portugal e na minha opinião o melhor blogue sobre pesca e suas envolventes que podemos encontrar de um bloguer Nacional,
Quem conhece o Fernando sabe a paixão que ele tem pela pesca e pela Natureza, além disso não se limitou a cruzar os braços e a afirmar que muita coisa está mal na pesca em Portugal, luta e lutou por causas do interesse de todos e pela preservação e equilíbrio com a Natureza, sem entrar em fundamentalismos exacerbados.
Antes de mais o meu agradecimento ao Fernando por ter acedido a colaborar neste projecto e às fotos cedidas para este artigo..
À Conversa com Fernando Encarnação
Comecei a escrever na blogosfera inspirado pelo teu exemplo. Como surgiu a
ideia de criares um blogue?
Pesco no mar desde muito cedo, inspirado pelo meu pai e as suas pescarias aos robalos e
carapaus, desde muito novo adquiri uma ligação ao mar, através da observação das
espécies que observava nas poças na baixa-mar.
A evolução como pescador faz-se ao longo da vida, estamos sempre a aprender, a
partilha com outros amigos pescadores ao longo dos anos dotou-me de algumas
características que me encaminharam para o especial interesse pelos sargos.
Na web comecei a pesquisar mais sobre a espécie e a entrar em fóruns de discussão,
onde se falava de tudo e mais alguma coisa, trocas de opiniões, algumas confusões, etc,
o normal quando muitas opiniões por vezes são distintas. Alguns fóruns foram criados,
outros cessaram, muitos perderam o interesse, e começaram a aparecer os blogs, muito
poucos.
Recordo-me que na altura que comecei a seguir o blog do António Ferreira, Maresia na
Costa e do Fernando Corvelo, o Robalos nas Ondas, achei interessante e pensei em criar
um espaço meu onde seria o responsável pelos conteúdos, onde colocaria os meus
relatos, artigos, fotografias, divulgação científica, noticias e temas variados que estão
ligados ao mar, nosso mar principalmente, e foram surgindo ideias, foram ocupadas
algumas centenas de horas no Oceanus Atlanticus, desde Junho de 1997 até agora.
Achas que a blogosfera pode ter um papel importante no panorama da pesca
desportiva Nacional?
Sem dúvida, em varias vertentes, cito as mais importantes, sensibilização e divulgação,
através de um projeto podemos dar-lhe um cunho pessoal mais aberto ou fechado, falar
de uma modalidade, técnica, capturas, segurança, etc, depende do seu gestor, mas por
exemplo, sempre respondi aos comentários e questões que me colocaram, não devemos
passar muita informação, porque ambicionamos que existam comentários ou questões,
mas por vezes elas não aparecem o que se torna um pouco desmotivante.
Existe o outro lado que ao longo do tempo tenho observado, a proliferação de espaços
pessoais, quase aniquilou os fóruns, o crescente aumento de praticantes, e com todo
direito, decidem criar também eles o seu espaço, da sua maneira, com os temas que
entende, etc., as novas tecnologias que publicam em direto do local da captura se o
entenderem, a busca de informação a todos os níveis à distância de um “click” é de
facto extraordinária.
Gostavas de ver mais blogues sobre pesca ou melhores blogues?
Não me compete a mim definir um espaço ou projeto, sigo alguns espaços dos quais me
identifico, dos quais me dão prazer ler relatos, ideias, ver imagens ou vídeos.
Gostas de ver muitos peixe nas ondas, mas pequenos ou grandes exemplares mesmo
poucos que sejam?!
É claro que muitos é sinal de sustentabilidade, mas os conteúdos remetem para a teoria
da evolução, só os mais fortes sobrevivem, se modificam e evoluem.
O que achas que mudou na pesca com a massificação do uso da Internet por
pescadores e para pescadores?
A internet não estava acessível a todos, o conhecimento cientifico, os materiais de
pesca, utensílios, as marcas, evoluíram, a globalização permite-te adquirir hoje um
artificial que saiu ontem da fabrica, no outro lado do mundo, conseguires adquirir
material mais barato, conseguires informação, avançares para o DIY (do it yourself) que
esta agora na moda dos vinis e cabeçotes.
Quase tudo se sabe, depois temos de ter a capacidade de adaptar o conhecimento à
prática, e isso ainda faz confusão a muita gente, o que é certo em determinadas mãos
pode não o ser noutras…
Defendi sempre o associativismo na defesa da pesca e de muitos interesses
instalados, sempre foste um elemento activo na defesa dos interesses dos
pescadores e dos recursos marinhos, fazes fizeste parte da
ANPLED, achas que a mesma tem atingido os objectivos a que se propôs?
O Associativismo é a base da defesa de uma atividade ou modalidade. Em 2006 surgiu a
primeira legislação da pesca lúdica, mas como tem sido normal, emana-se legislação
sem conhecimento de causa e efeito e aguarda-se que a metodologia do proibir por ação
de coimas façam milagres, acompanhei alguns amigos que por carolice teimavam
(alguns ainda teimam) alterar ou repor algumas situações que a nosso entender eram
prejudiciais para os pescadores lúdicos e algumas espécies.
Como tudo fomos criticados por uns, apoiados por outros inclusive ignorados por outros
tantos, foram alguns anos a queimar tempo e alguns trocos, o que ganhamos, a sensação
de dever conseguido, o conhecimento de grandes amigos entre os quais o João Borges,
António Neves, José Nazaré, entre outros.
Mas como tudo, houve batalhas travadas, vitorias conseguidas, muitas reuniões,
algumas alterações no grupo da ANPLED, saíram uns, entraram outros, mas continua.
Como explicas que grande parte dos pescadores com quem me cruzo nos
pesqueiros não conhece a ANPLED, tenho a ideia que o raio de acção e influência
da mesma incide muito mais na zona sul do País, concordas?
A ANPLED é uma Associação Nacional, na sua génese ambicionava a propagação nos
denominados polos norte e sul, mas acho que até à data não foi conseguido esse
objetivo. As associações são o que os associados e pessoas para quem ela “trabalha”
querem que ela seja, se tens poucos associados num universo de milhares de pescadores,
alguma coisa não funciona, mas isso acontece também na caça submarina na APPSA
por exemplo.
O raio de ação da ANPLED funcionou mais a sul, na última direção do qual ainda fiz
parte (2º mandato como vice-presidente), existia a problemática da restrição da pesca
lúdica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, nessa altura foi
criado um grupo de trabalho no algarve e no Alentejo Litoral.
Existia um grande descontentamento, as restrições eram muitas para residentes e não
residentes no PNSACV, que logica tinha eu como residente puder e alguém de Lisboa
ou do Porto estar limitado e ser completamente restrito? Não ser permitido pescar um
dia por semana? Existir um defeso (restrição à pesca lúdica), que ainda esta consagrado
na lei, quando não existe restrições à pesca profissional, quando a espécie não está em
risco, etc.
É necessário existir participação da Direcção e colaboradores, as matérias envolventes
carecem de muito tempo e disponibilidade, não é uma actividade remunerada, é algo
que acreditamos e trabalhamos por carolice.
Há alguma acção que queiras divulgar sobre a ANPLED?
Tem efetuado ações de sensibilização e workshops com crianças que abraçaram a
modalidade pesca lúdica há pouco tempo. Tem participado no grupo de trabalho que
produziu também as últimas alterações à pesca lúdica.
Como classificas a legislação que se aplica no Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina?
Na legislação da pesca lúdica, acho que deverá existir um enquadramento geral do
âmbito nacional. A legislação proteccionista, funciona como um contra senso, quando
comparamos a existem para o espaço terrestre e marítimo.
Deve de existir desenvolvimento, mas neste caso, PNSACV deveria ser mais o
sustentável, deveria de existir uma promoção da agricultura tradicional, das espécies
autóctones, etc. No concelho de Odemira, impera um espaço litoral de agricultura
intensiva, onde são terraplanados diariamente porções de terreno, onde são destruídos
ecossistemas confinantes dunares, onde são aplicados produtos fitossanitários, etc, a
água do perímetro de rega carregada de nutrientes contamina lençóis freáticos e numa
última fase segue o seu caminho para o mar.
No mar, não podemos (pescadores apeados) apanhar um sargo na época do defeso,
defeso para mim é a não interação entre o Homem e uma espécie por motivos vários,
acasalamento, reprodução, declínio nos stocks, contaminação, etc, prefiro utilizar o
termo restrição, os profissionais podem largar redes na borda de água e capturar
algumas centenas de sargos num lance; não podemos apanhar mais de dois quilos de
perceves, os mariscadores e pseudo mariscadores, recolhem sacas diariamente, e não
falamos apenas de marisco de tamanho adulto, existem os chamados danos colaterais no
marisco mais pequeno; ouriços são uma espécie que se alimente essencialmente de
algas, num determinado tamanho deixam de ter predadores, existem grandes
quantidades na nossa costa, mas a sua captura está limitada, quando a mesmo só tem
significado de Dezembro ate Março; não se pode andar por um trilho numa zona dunar,
alguém que adquira um terreno, pode colocar maquinaria pesada, drenar o mesmo,
terraplana-lo, veda-lo e produzir o que bem entender. Enfim…
Neste ponto tenho de mencionar o David Rosa e o seu trabalho de persistência como
Comissão de Pescadores e Populações é uma prova de como continua a existir
descontentamento, e trabalho a nível local.
Defendes incondicionalmente que os principais culpados na diminuição de
stocks de robalos e Sargos são os profissionais ou os desportivos também tem a sua
cota parte de responsabilidade?
Não sou fundamentalista, vejo muitas vezes pescas industriais que fazem inveja a muita
gente, dedos apontados aos profissionais, recordo-me de ter publicado uma entrada no
blog http://oceanusatlanticus.blogspot.pt/2010/09/pequenas-grandes-pescas.html de um
artigo do meu amigo Prof. João Castro que fala na micro pesca, que me sensibilizou
para isso.
Todos temos uma parte da diminuição dos stocks, em terra, no mar e no ar, somos
responsáveis por todos os impactos que as espécies têm. A pesca Tradicional (portinhos
de pesca) e profissional (industrial) digamos que será a Macro pesca.
Se fosses legislador quais seriam as tuas principais alterações na actual
legislação?
Acabava com o defeso pois é um contra senso. Se fosse possível aumentava o tamanho
mínimo das espécies para mais uns quatro centímetros, parece pouco mas faria uma
grande diferença.
Sei que estás ligado à Vega, como encaras essa ligação?
Basicamente, a Vega fornece o mercado interno e externo com equipamento para
diversas tipologias de pesca (Spinning, Rock-Fishing, Surf-Cast, Pesca Embarcada e
Águas interiores), prático pesca lúdica e caça submarina, gosto de fazer unas registos
fotográficos de determinados ambientes, macros de espécies e jornadas, utilizo o
material que me disponibilizam e solicitam a minha humilde opinião na elaboração de
artigos de opinião.
A minha ligação à Vega já tem uns anos, é o equipamento que eu utilizo para o
desenvolvimento das minhas técnicas e jornadas que me tem dado alegrias e adrenalina.
As marcas descobriram num passado muito recente que o melhor veículo de
Marketing em Portugal é a Internet, achas que ainda há um grande caminho a
percorrer neste capítulo ou que o mercado Nacional é pequeno demais para esta
tipologia de parcerias?
Na minha humilde opinião, e no caso que tenho mais conhecimento (Mundináutica -
Vega), a ferramenta de Marketing está focada no apoio de compra ou nas escolhas finais
por influência dos lojistas, na aquisição de produtos e equipamentos de pesca.
Reconhecendo esse ponto a marca assume o compromisso, de enviar o Jornal da Pesca
(suporte papel), sem qualquer encargo para o representante da marca na loja de pesca e
aos frequentadores da mesma. Para além da página web da marca, ainda podemos
constatar a existência de três páginas na rede social Facebook com o Jornal da Pesca do
Mar, Jornal da Pesca Predadores e Jornal da Pesca Água doce. Não posso falar de algo
que desconheço, mas a politica neste caso tem sido a expansão, inicialmente ibérica,
depois europeia, posteriormente Brasil e Angola. Alguma marca que se dedique apenas
ao mercado interno ou à sua presença na internet, na grande maioria dos casos não terá
grande sucesso.
Tenho a ideia que o pescador desportivo nacional é visto como um selvagem
que mata tudo o que mexe, concordas?
Essa ideia provavelmente poderá ser a que se transmite para fora, a Península Ibérica
tem dessas coisas… De uma forma geral não creio que seja assim, há casos e casos, não
me compete julgar os outros, mas esse é o resultado do que transparecemos.
Que preferes? Pescar robalos ou Sargos?
As duas espécies alvo são tão distintas, que acertas-te nas duas espécies que mais prazer
e sensações me dão, ambas as pescas para mim são anfíbias, ao sargo é normal que
passe para cima de pedras ilhadas, que desça por cordas, que esteja em locais junto à
linha de água com alguma ondulação considerável, pois a adrenalina tem de temperar
uma jornada, depois vem as sensações da procura do peixe, da colocação do engodo, da
utilização das iscas que os mesmos não vão recusar, se não estiverem no pesqueiro
poderão entrar a determinadas horas, se não apareceram já não vão aparecer, procura de
sinais na mare baixa da sua passagem pelo pesqueiro, etc.
Os robalos é aquela mágica, romper do dia, cair da noite, nunca sabemos o que nos
aguarda, horas ou minutos, nunca sabemos quando o artificial que é animado abaixo da
capa branca da oxigenação é atacado, as frações mágicas entre o ataque de um peixe a
uma artificial de superfície, as lutas, a escolha dos locais, as insistências e o combate.
No caso dos robalos, ficaste rendido ao Spinning ou achas que há momentos
para diferentes técnicas?
Spinning por enquanto é de eleição, mas existe momentos para outras técnicas, e
evolução, se estagnamos numa técnica ficaremos agarrados à sua limitação, depende do
que quisermos fazer, tenhamos capacidade, conhecimento e jeito para a coisa, é sempre
bom termos uns amigos que gostem destas coisas e que partilhe conhecimentos de
variantes, quem sabe se não resultando num determinado local, não funcionara noutro.
Por exemplo, um regresso ao passado tipo, mar bravo, águas oxigenadas e tons escuros,
porque não pegar numa vara Sportex, mono 0.50 no carreto, 120-150 gramas de
chumbada, estralho de braça e meia, anzol 0/4, iscado com forrado de polvo ou uma
pata e tentarmos a sorte de ferrar um bom exemplar da forma tradicional?
Que mais te apaixona no spinning?
Pessoalmente, tenho gosto por meias mares do nascer do sol ou por do sol, o misticismo
do predador que procuramos, uma espécie nobre, o não sabermos quando vamos sentir
um ataque ao artificial que percorre a rebentação, a corrente, o substrato submerso,
estará aqui ou ali, o ataque de um peixe a uma artificial de superfície, a procura em
forma de leque, o combate até observarmos uma armadura prateada à tona de água, isto
é a essência da pesca.
A magia dos momentos da ferragem, a luta e a adrenalina que sentimos pode ser sempre
potencializada pelos locais que escolhemos, uma pedra avançada na linha de costa, na
baixa-mar, uma zona de sedimentação de areia onde pescamos com água pela cintura,
etc.
Amostras secretas ou predilectas, queres desvendar um pouco o véu?
Secretas não, predilectas, daquelas que efectuei muitas capturas foram as Saltigas 140,
Flash Minnow MR 130, Angel Kiss, actualmente, estou rendido às Smart Minnow, pelo
seu voo e performance de lançamento, capa de água que percorrem.
Como se diz por estes lados “Anzol na água é uma forca de peixe”.
Qual o factor que mais importância dás nesta modalidade de pesca?
Existem alguns, conhecermos bem a espécie, os seus hábitos o seu ambiente e as suas
relações entre outras espécies, as condições propícias para encontrarmos o nosso alvo,
os cuidados a ter na prática da modalidade, o que não devemos fazer, etc.
Dominando minimamente estes pontos é insistir, o êxito depende da insistência e
dedicação.
Qual o robalo que mais prazer te deu capturar? Queres contar?
Cada peixe tem uma história, deve fazer parte do nosso reconhecimento por essa nobre
espécie.
De algumas, lembro-me de um robalo de quilo e pouco que atacou uma artificial saindo
por completo fora de água (tal como o seu parente achigã), outro exemplar de quatro
quilos e meio, que no final do lançamento, após duas ou três recuperações atacou o
artificial e produziu uma investida em arco sempre forçando, ao fim de algum tempo,
consegui coloca-lo perto de mim mas sempre pelo fundo e de lado, só mesmo no final
junto a pedra é que observei a artificial completamente atravessada na boca; um outro
peixe, com uns cinco quilos foi já de noite, cercado por água numa ponta de pedra, tinha
capturado quatro exemplares entre os dois quilogramas, faço um lançamento numa zona
com meio metro de água e fundo de pedra com alguns caldeirões, ao fim de algumas
maniveladas sinto uma prisão (tipo rocha), aliviei um pouco e a rocha começou a
investir naquela pouca água, foi um espetáculo, principalmente porque a certa altura tive
de recuperar a linha manualmente rodando a bobine do carreto, pois a manivela deixou
de funcionar consegui recuperar o peixe.
Que conselhos deixas para quem se quer iniciar nesta modalidade?
Principalmente para não colocarem a vossa integridade física em risco, um peixe (s) não
vale uma vida, para além da citação “Há mais marés do que marinheiros”.
Tentem absorver informação à cerca da espécie que pretendem capturar, perceber os
seus hábitos, avaliar locais, tentar perceber a dinâmica das zonas litorais, etc, e por
ultimo mas não menos importante, não desistam, insistam na procura que irão ser
recompensados em sensações.
Os mais jovens serão o futuro desta modalidade, vês correntes de mudança e
esperanças renascidas ou vamos ter mais do mesmo?
A sustentabilidade de um recurso depende da gestão ou ensinamentos que temos e
praticamos no presente e transmitimos às gerações vindouras, para que as mesmas possa
usufruir dele tal como nós usufruímos no presente.
Temo que isso possa não acontecer, pelo menos, com a frequência que fomos
habituados, e que cada vez mais se vai reduzindo em número de dias.
Seguindo este exemplo, não pratico pesca em águas interiores (talvez uma ou duas
experiencias por ano), só no mar, mas reconheço a fragilidade desses ecossistemas por
serem reduzidos em dimensão e estarem confinados a um espaço ou área reduzida, a
uma pressão de pesca, em dimensões bem diferentes, quando comparada com o mar, se
existisse exponencialmente uma pressão nesses recursos como tem existido um
acréscimo de praticantes no mar, como será?
Durante os próximos tempos irei publicar várias conversas , desde a praticantes , importadores , a pessoas com responsabilidades acrescidas na pesca...... muitos temas vão passar por este espaço..Alguns consensuais, outros polémicos e outros do interesse de todos.
Fazia todo o sentido começar este tipo de publicações com alguém que com o seu trabalho me inspirou a iniciar o Robalos na Alma, um excelente pescador e alguém que admiro por todo o altruismo que vai tendo em tempos tão complicados na pesca em Portugal, falo de Fernando Encarnação, cruzei-me com o Fernando em vários fóruns de pesca antes mesmo de ele ter iniciado o seu Blogue,o Fernando é criador do blogue Oceanusatlanticus, um dos primeiros blogues sobre pesca desportiva em Portugal e na minha opinião o melhor blogue sobre pesca e suas envolventes que podemos encontrar de um bloguer Nacional,
Quem conhece o Fernando sabe a paixão que ele tem pela pesca e pela Natureza, além disso não se limitou a cruzar os braços e a afirmar que muita coisa está mal na pesca em Portugal, luta e lutou por causas do interesse de todos e pela preservação e equilíbrio com a Natureza, sem entrar em fundamentalismos exacerbados.
Antes de mais o meu agradecimento ao Fernando por ter acedido a colaborar neste projecto e às fotos cedidas para este artigo..
À Conversa com Fernando Encarnação
Comecei a escrever na blogosfera inspirado pelo teu exemplo. Como surgiu a
ideia de criares um blogue?
Pesco no mar desde muito cedo, inspirado pelo meu pai e as suas pescarias aos robalos e
carapaus, desde muito novo adquiri uma ligação ao mar, através da observação das
espécies que observava nas poças na baixa-mar.
A evolução como pescador faz-se ao longo da vida, estamos sempre a aprender, a
partilha com outros amigos pescadores ao longo dos anos dotou-me de algumas
características que me encaminharam para o especial interesse pelos sargos.
Na web comecei a pesquisar mais sobre a espécie e a entrar em fóruns de discussão,
onde se falava de tudo e mais alguma coisa, trocas de opiniões, algumas confusões, etc,
o normal quando muitas opiniões por vezes são distintas. Alguns fóruns foram criados,
outros cessaram, muitos perderam o interesse, e começaram a aparecer os blogs, muito
poucos.
Recordo-me que na altura que comecei a seguir o blog do António Ferreira, Maresia na
Costa e do Fernando Corvelo, o Robalos nas Ondas, achei interessante e pensei em criar
um espaço meu onde seria o responsável pelos conteúdos, onde colocaria os meus
relatos, artigos, fotografias, divulgação científica, noticias e temas variados que estão
ligados ao mar, nosso mar principalmente, e foram surgindo ideias, foram ocupadas
algumas centenas de horas no Oceanus Atlanticus, desde Junho de 1997 até agora.
Achas que a blogosfera pode ter um papel importante no panorama da pesca
desportiva Nacional?
Sem dúvida, em varias vertentes, cito as mais importantes, sensibilização e divulgação,
através de um projeto podemos dar-lhe um cunho pessoal mais aberto ou fechado, falar
de uma modalidade, técnica, capturas, segurança, etc, depende do seu gestor, mas por
exemplo, sempre respondi aos comentários e questões que me colocaram, não devemos
passar muita informação, porque ambicionamos que existam comentários ou questões,
mas por vezes elas não aparecem o que se torna um pouco desmotivante.
Existe o outro lado que ao longo do tempo tenho observado, a proliferação de espaços
pessoais, quase aniquilou os fóruns, o crescente aumento de praticantes, e com todo
direito, decidem criar também eles o seu espaço, da sua maneira, com os temas que
entende, etc., as novas tecnologias que publicam em direto do local da captura se o
entenderem, a busca de informação a todos os níveis à distância de um “click” é de
facto extraordinária.
Gostavas de ver mais blogues sobre pesca ou melhores blogues?
Não me compete a mim definir um espaço ou projeto, sigo alguns espaços dos quais me
identifico, dos quais me dão prazer ler relatos, ideias, ver imagens ou vídeos.
Gostas de ver muitos peixe nas ondas, mas pequenos ou grandes exemplares mesmo
poucos que sejam?!
É claro que muitos é sinal de sustentabilidade, mas os conteúdos remetem para a teoria
da evolução, só os mais fortes sobrevivem, se modificam e evoluem.
O que achas que mudou na pesca com a massificação do uso da Internet por
pescadores e para pescadores?
A internet não estava acessível a todos, o conhecimento cientifico, os materiais de
pesca, utensílios, as marcas, evoluíram, a globalização permite-te adquirir hoje um
artificial que saiu ontem da fabrica, no outro lado do mundo, conseguires adquirir
material mais barato, conseguires informação, avançares para o DIY (do it yourself) que
esta agora na moda dos vinis e cabeçotes.
Quase tudo se sabe, depois temos de ter a capacidade de adaptar o conhecimento à
prática, e isso ainda faz confusão a muita gente, o que é certo em determinadas mãos
pode não o ser noutras…
Defendi sempre o associativismo na defesa da pesca e de muitos interesses
instalados, sempre foste um elemento activo na defesa dos interesses dos
pescadores e dos recursos marinhos, fazes fizeste parte da
ANPLED, achas que a mesma tem atingido os objectivos a que se propôs?
O Associativismo é a base da defesa de uma atividade ou modalidade. Em 2006 surgiu a
primeira legislação da pesca lúdica, mas como tem sido normal, emana-se legislação
sem conhecimento de causa e efeito e aguarda-se que a metodologia do proibir por ação
de coimas façam milagres, acompanhei alguns amigos que por carolice teimavam
(alguns ainda teimam) alterar ou repor algumas situações que a nosso entender eram
prejudiciais para os pescadores lúdicos e algumas espécies.
Como tudo fomos criticados por uns, apoiados por outros inclusive ignorados por outros
tantos, foram alguns anos a queimar tempo e alguns trocos, o que ganhamos, a sensação
de dever conseguido, o conhecimento de grandes amigos entre os quais o João Borges,
António Neves, José Nazaré, entre outros.
Mas como tudo, houve batalhas travadas, vitorias conseguidas, muitas reuniões,
algumas alterações no grupo da ANPLED, saíram uns, entraram outros, mas continua.
Como explicas que grande parte dos pescadores com quem me cruzo nos
pesqueiros não conhece a ANPLED, tenho a ideia que o raio de acção e influência
da mesma incide muito mais na zona sul do País, concordas?
A ANPLED é uma Associação Nacional, na sua génese ambicionava a propagação nos
denominados polos norte e sul, mas acho que até à data não foi conseguido esse
objetivo. As associações são o que os associados e pessoas para quem ela “trabalha”
querem que ela seja, se tens poucos associados num universo de milhares de pescadores,
alguma coisa não funciona, mas isso acontece também na caça submarina na APPSA
por exemplo.
O raio de ação da ANPLED funcionou mais a sul, na última direção do qual ainda fiz
parte (2º mandato como vice-presidente), existia a problemática da restrição da pesca
lúdica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, nessa altura foi
criado um grupo de trabalho no algarve e no Alentejo Litoral.
Existia um grande descontentamento, as restrições eram muitas para residentes e não
residentes no PNSACV, que logica tinha eu como residente puder e alguém de Lisboa
ou do Porto estar limitado e ser completamente restrito? Não ser permitido pescar um
dia por semana? Existir um defeso (restrição à pesca lúdica), que ainda esta consagrado
na lei, quando não existe restrições à pesca profissional, quando a espécie não está em
risco, etc.
É necessário existir participação da Direcção e colaboradores, as matérias envolventes
carecem de muito tempo e disponibilidade, não é uma actividade remunerada, é algo
que acreditamos e trabalhamos por carolice.
Há alguma acção que queiras divulgar sobre a ANPLED?
Tem efetuado ações de sensibilização e workshops com crianças que abraçaram a
modalidade pesca lúdica há pouco tempo. Tem participado no grupo de trabalho que
produziu também as últimas alterações à pesca lúdica.
Como classificas a legislação que se aplica no Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina?
Na legislação da pesca lúdica, acho que deverá existir um enquadramento geral do
âmbito nacional. A legislação proteccionista, funciona como um contra senso, quando
comparamos a existem para o espaço terrestre e marítimo.
Deve de existir desenvolvimento, mas neste caso, PNSACV deveria ser mais o
sustentável, deveria de existir uma promoção da agricultura tradicional, das espécies
autóctones, etc. No concelho de Odemira, impera um espaço litoral de agricultura
intensiva, onde são terraplanados diariamente porções de terreno, onde são destruídos
ecossistemas confinantes dunares, onde são aplicados produtos fitossanitários, etc, a
água do perímetro de rega carregada de nutrientes contamina lençóis freáticos e numa
última fase segue o seu caminho para o mar.
No mar, não podemos (pescadores apeados) apanhar um sargo na época do defeso,
defeso para mim é a não interação entre o Homem e uma espécie por motivos vários,
acasalamento, reprodução, declínio nos stocks, contaminação, etc, prefiro utilizar o
termo restrição, os profissionais podem largar redes na borda de água e capturar
algumas centenas de sargos num lance; não podemos apanhar mais de dois quilos de
perceves, os mariscadores e pseudo mariscadores, recolhem sacas diariamente, e não
falamos apenas de marisco de tamanho adulto, existem os chamados danos colaterais no
marisco mais pequeno; ouriços são uma espécie que se alimente essencialmente de
algas, num determinado tamanho deixam de ter predadores, existem grandes
quantidades na nossa costa, mas a sua captura está limitada, quando a mesmo só tem
significado de Dezembro ate Março; não se pode andar por um trilho numa zona dunar,
alguém que adquira um terreno, pode colocar maquinaria pesada, drenar o mesmo,
terraplana-lo, veda-lo e produzir o que bem entender. Enfim…
Neste ponto tenho de mencionar o David Rosa e o seu trabalho de persistência como
Comissão de Pescadores e Populações é uma prova de como continua a existir
descontentamento, e trabalho a nível local.
Defendes incondicionalmente que os principais culpados na diminuição de
stocks de robalos e Sargos são os profissionais ou os desportivos também tem a sua
cota parte de responsabilidade?
Não sou fundamentalista, vejo muitas vezes pescas industriais que fazem inveja a muita
gente, dedos apontados aos profissionais, recordo-me de ter publicado uma entrada no
blog http://oceanusatlanticus.blogspot.pt/2010/09/pequenas-grandes-pescas.html de um
artigo do meu amigo Prof. João Castro que fala na micro pesca, que me sensibilizou
para isso.
Todos temos uma parte da diminuição dos stocks, em terra, no mar e no ar, somos
responsáveis por todos os impactos que as espécies têm. A pesca Tradicional (portinhos
de pesca) e profissional (industrial) digamos que será a Macro pesca.
Se fosses legislador quais seriam as tuas principais alterações na actual
legislação?
Acabava com o defeso pois é um contra senso. Se fosse possível aumentava o tamanho
mínimo das espécies para mais uns quatro centímetros, parece pouco mas faria uma
grande diferença.
Sei que estás ligado à Vega, como encaras essa ligação?
Basicamente, a Vega fornece o mercado interno e externo com equipamento para
diversas tipologias de pesca (Spinning, Rock-Fishing, Surf-Cast, Pesca Embarcada e
Águas interiores), prático pesca lúdica e caça submarina, gosto de fazer unas registos
fotográficos de determinados ambientes, macros de espécies e jornadas, utilizo o
material que me disponibilizam e solicitam a minha humilde opinião na elaboração de
artigos de opinião.
A minha ligação à Vega já tem uns anos, é o equipamento que eu utilizo para o
desenvolvimento das minhas técnicas e jornadas que me tem dado alegrias e adrenalina.
As marcas descobriram num passado muito recente que o melhor veículo de
Marketing em Portugal é a Internet, achas que ainda há um grande caminho a
percorrer neste capítulo ou que o mercado Nacional é pequeno demais para esta
tipologia de parcerias?
Na minha humilde opinião, e no caso que tenho mais conhecimento (Mundináutica -
Vega), a ferramenta de Marketing está focada no apoio de compra ou nas escolhas finais
por influência dos lojistas, na aquisição de produtos e equipamentos de pesca.
Reconhecendo esse ponto a marca assume o compromisso, de enviar o Jornal da Pesca
(suporte papel), sem qualquer encargo para o representante da marca na loja de pesca e
aos frequentadores da mesma. Para além da página web da marca, ainda podemos
constatar a existência de três páginas na rede social Facebook com o Jornal da Pesca do
Mar, Jornal da Pesca Predadores e Jornal da Pesca Água doce. Não posso falar de algo
que desconheço, mas a politica neste caso tem sido a expansão, inicialmente ibérica,
depois europeia, posteriormente Brasil e Angola. Alguma marca que se dedique apenas
ao mercado interno ou à sua presença na internet, na grande maioria dos casos não terá
grande sucesso.
Tenho a ideia que o pescador desportivo nacional é visto como um selvagem
que mata tudo o que mexe, concordas?
Essa ideia provavelmente poderá ser a que se transmite para fora, a Península Ibérica
tem dessas coisas… De uma forma geral não creio que seja assim, há casos e casos, não
me compete julgar os outros, mas esse é o resultado do que transparecemos.
Que preferes? Pescar robalos ou Sargos?
As duas espécies alvo são tão distintas, que acertas-te nas duas espécies que mais prazer
e sensações me dão, ambas as pescas para mim são anfíbias, ao sargo é normal que
passe para cima de pedras ilhadas, que desça por cordas, que esteja em locais junto à
linha de água com alguma ondulação considerável, pois a adrenalina tem de temperar
uma jornada, depois vem as sensações da procura do peixe, da colocação do engodo, da
utilização das iscas que os mesmos não vão recusar, se não estiverem no pesqueiro
poderão entrar a determinadas horas, se não apareceram já não vão aparecer, procura de
sinais na mare baixa da sua passagem pelo pesqueiro, etc.
Os robalos é aquela mágica, romper do dia, cair da noite, nunca sabemos o que nos
aguarda, horas ou minutos, nunca sabemos quando o artificial que é animado abaixo da
capa branca da oxigenação é atacado, as frações mágicas entre o ataque de um peixe a
uma artificial de superfície, as lutas, a escolha dos locais, as insistências e o combate.
No caso dos robalos, ficaste rendido ao Spinning ou achas que há momentos
para diferentes técnicas?
Spinning por enquanto é de eleição, mas existe momentos para outras técnicas, e
evolução, se estagnamos numa técnica ficaremos agarrados à sua limitação, depende do
que quisermos fazer, tenhamos capacidade, conhecimento e jeito para a coisa, é sempre
bom termos uns amigos que gostem destas coisas e que partilhe conhecimentos de
variantes, quem sabe se não resultando num determinado local, não funcionara noutro.
Por exemplo, um regresso ao passado tipo, mar bravo, águas oxigenadas e tons escuros,
porque não pegar numa vara Sportex, mono 0.50 no carreto, 120-150 gramas de
chumbada, estralho de braça e meia, anzol 0/4, iscado com forrado de polvo ou uma
pata e tentarmos a sorte de ferrar um bom exemplar da forma tradicional?
Que mais te apaixona no spinning?
Pessoalmente, tenho gosto por meias mares do nascer do sol ou por do sol, o misticismo
do predador que procuramos, uma espécie nobre, o não sabermos quando vamos sentir
um ataque ao artificial que percorre a rebentação, a corrente, o substrato submerso,
estará aqui ou ali, o ataque de um peixe a uma artificial de superfície, a procura em
forma de leque, o combate até observarmos uma armadura prateada à tona de água, isto
é a essência da pesca.
A magia dos momentos da ferragem, a luta e a adrenalina que sentimos pode ser sempre
potencializada pelos locais que escolhemos, uma pedra avançada na linha de costa, na
baixa-mar, uma zona de sedimentação de areia onde pescamos com água pela cintura,
etc.
Amostras secretas ou predilectas, queres desvendar um pouco o véu?
Secretas não, predilectas, daquelas que efectuei muitas capturas foram as Saltigas 140,
Flash Minnow MR 130, Angel Kiss, actualmente, estou rendido às Smart Minnow, pelo
seu voo e performance de lançamento, capa de água que percorrem.
Como se diz por estes lados “Anzol na água é uma forca de peixe”.
Qual o factor que mais importância dás nesta modalidade de pesca?
Existem alguns, conhecermos bem a espécie, os seus hábitos o seu ambiente e as suas
relações entre outras espécies, as condições propícias para encontrarmos o nosso alvo,
os cuidados a ter na prática da modalidade, o que não devemos fazer, etc.
Dominando minimamente estes pontos é insistir, o êxito depende da insistência e
dedicação.
Qual o robalo que mais prazer te deu capturar? Queres contar?
Cada peixe tem uma história, deve fazer parte do nosso reconhecimento por essa nobre
espécie.
De algumas, lembro-me de um robalo de quilo e pouco que atacou uma artificial saindo
por completo fora de água (tal como o seu parente achigã), outro exemplar de quatro
quilos e meio, que no final do lançamento, após duas ou três recuperações atacou o
artificial e produziu uma investida em arco sempre forçando, ao fim de algum tempo,
consegui coloca-lo perto de mim mas sempre pelo fundo e de lado, só mesmo no final
junto a pedra é que observei a artificial completamente atravessada na boca; um outro
peixe, com uns cinco quilos foi já de noite, cercado por água numa ponta de pedra, tinha
capturado quatro exemplares entre os dois quilogramas, faço um lançamento numa zona
com meio metro de água e fundo de pedra com alguns caldeirões, ao fim de algumas
maniveladas sinto uma prisão (tipo rocha), aliviei um pouco e a rocha começou a
investir naquela pouca água, foi um espetáculo, principalmente porque a certa altura tive
de recuperar a linha manualmente rodando a bobine do carreto, pois a manivela deixou
de funcionar consegui recuperar o peixe.
Que conselhos deixas para quem se quer iniciar nesta modalidade?
Principalmente para não colocarem a vossa integridade física em risco, um peixe (s) não
vale uma vida, para além da citação “Há mais marés do que marinheiros”.
Tentem absorver informação à cerca da espécie que pretendem capturar, perceber os
seus hábitos, avaliar locais, tentar perceber a dinâmica das zonas litorais, etc, e por
ultimo mas não menos importante, não desistam, insistam na procura que irão ser
recompensados em sensações.
Os mais jovens serão o futuro desta modalidade, vês correntes de mudança e
esperanças renascidas ou vamos ter mais do mesmo?
A sustentabilidade de um recurso depende da gestão ou ensinamentos que temos e
praticamos no presente e transmitimos às gerações vindouras, para que as mesmas possa
usufruir dele tal como nós usufruímos no presente.
Temo que isso possa não acontecer, pelo menos, com a frequência que fomos
habituados, e que cada vez mais se vai reduzindo em número de dias.
Seguindo este exemplo, não pratico pesca em águas interiores (talvez uma ou duas
experiencias por ano), só no mar, mas reconheço a fragilidade desses ecossistemas por
serem reduzidos em dimensão e estarem confinados a um espaço ou área reduzida, a
uma pressão de pesca, em dimensões bem diferentes, quando comparada com o mar, se
existisse exponencialmente uma pressão nesses recursos como tem existido um
acréscimo de praticantes no mar, como será?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Ano novo,vontades antigas..
Depois de quase um ano encerrado é tempo de voltar em breve...
Citando Pessoa: " Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e com 2015 veio a vontadede continuar a partilhar..
Muito em breve voltarei às publicações num registo um pouco diferente..
quarta-feira, 9 de abril de 2014
End
Se me questionassem qual foi o peixe que mais alegria me deu capturar eu diria:
- O próximo
Na vida tenho poucas certezas, uma das quais é que a morte espera por toda a gente, de quando em vez faço questão de relembrar dessa verdade irrefutável, tenho a firme certeza que o que faço na minha vida faço-o de maneira apaixonada, desde a minha vida pessoal à profissional, a paixão traz alguns erros mas quem faz algo com paixão leva uma força consigo que tem o poder de suplantar algumas limitações.
Não sou alguém saudosista, agarrado a premissas ou estereótipos sociais, cada um é como é, como quer ser, cada um escolhe o seu caminho, o certo ou errado , a procura da felicidade ou a sua vivencia à individualidade diz respeito..
Prefiro o preto ou o branco, sim ou não, não me dou bem com os cinzentos ou os talvez, faço questão de colocar objectivos a mim próprio, viver um dia de cada vez mas sabendo que há um tempo para termos tempo e há uma altura de conseguirmos tempo entre os tempos que vamos tendo..
Deixem-me falar da pesca..
A pesca não é apenas apanhar peixe, além de ser um pensamento redutor é errado , é um ritual, um sentimento permanente de inquietação, os grandes pescadores que conheço são irrequietos, são pessoas de várias idades, filhos, pais, irmãos ou avôs ,mas traquinas, têm fome de conhecimento, funcionam como uma esponja a absorver vários pormenores mesmo que inicialmente aparentem não ter ligação entre eles, não tomam nada por garantido e evoluem sem esquecer o passado..
Depois há aqueles que são os fora de serie, viram e fizeram primeiro, irrequietos igualmente, incorformados ,questionaram e voltaram a questionar, adaptaram e adaptam-se, são aqueles que inicialmente lhes disseram que estavam errados, depois disseram-lhes que a sua abordagem não era exequível para no fim se renderam e afirmarem que já se tinham lembrado dessa abordagem mas por uma razão ou outra nunca a experimentaram.
A pesca é inquietude que nos traz paz..
Eu não sei onde me incluirei, uma coisa sei, ser grande pescador não o serei de certeza, não assim o considero mas a minha paixão pela pesca..essa sim é enorme e infindável..
Continuando:
Durante a nossa vida ganhámos muita coisa mas perdemos outras tantas, por norma todos nós só concretizamos o que perdemos quando já não podemos ter o que o tempo, a vida ou a morte nos levou.
No período compreendido entre a criação deste blogue até ao dia em que escrevo este texto os mais dispares acontecimentos ocorreram na minha vida, grandes alegrias, tristezas e percas irrecuperáveis.. Continuo a ser a pessoa apaixonada pela vida que sempre fui, alguém que não faz nada por fazer.. Para uns o 8 e para outros o 80 mas sentindo sempre que o importante é não ser quadrado..
Terminando:
É a altura de terminar o blogue, se em tempos parei e disse que um dia mais tarde voltaria neste momento não, é chegada a altura colocar o Robalos na Alma no compartimento dele.
Aqui já não escrevo com paixão e sem sentimento não vale a pena fazer nada.
Não me revejo em muitas situações que vou lendo na blogosfera, não me identifico com o que vou vendo nos pesqueiros ou em conversas de vau de escada em lojas de pesca , a pesca é para ser sentida não é para ser um campo de frustrações, de interesses ou de primarismo cavernoso.
Continuar com o blogue era ser cinzento, isso não, prefiro mil vezes morrer de uma só vez que ir morrendo aos poucos e para quem ainda não se apercebeu a pesca em Portugal vai morrendo aos poucos, nas mais diferentes modalidades é só tricas e egos do tamanho da nossa costa, lobbys de importadores, patrocionios mal esclarecidos, é muita confusão para quem apenas gosta de pescar..
A partilha em Portugal é uma utopia, na pesca usámos materiais de ultima geração mas parámos no tempo como colectivo..
Muitos pescadores ou indivíduos que apanham peixe não querem saber de paixões ou emoções , partilha boa é só aquela que pode ter alguma contrapartida pessoal.. A malta quer é ver peixes, a monte, pendurados ou em tabuleiros, ensanguentados, querem saber de amostras que matem peixe e locais quentes, paixões é para pescadores menores, a partilha meus caros é uma utopia…
Alguém que já partiu destes pesqueiros um dia disse-me:
“São muitos a pescar mas há poucos pescadores”
Nunca mais me esqueci da frase, é actual como nunca.
Agradeço do intimo do meu ser a todos que perderam um tempo entre tempos a ler o Robalos na Alma, aos que apoiaram, aos que construtivamente criticaram, aos que valorizaram ou depreciaram. A todos sem excepção, aprendi a fazer melhor e a nunca fazer igual..
Sejam felizes, sejam vocês , não alinhem em tudo que parece ouro, não tentem ser uma cópia de pescador que conhecem, no máximo serão uma boa cópia mas nunca serão diferentes.. Sejam apaixonados pela pesca e pela vida são os meus votos a todos.
Sejam felizes
Eu continuarei a procurar o próximo objectivo, o próximo peixe...
- O próximo
Na vida tenho poucas certezas, uma das quais é que a morte espera por toda a gente, de quando em vez faço questão de relembrar dessa verdade irrefutável, tenho a firme certeza que o que faço na minha vida faço-o de maneira apaixonada, desde a minha vida pessoal à profissional, a paixão traz alguns erros mas quem faz algo com paixão leva uma força consigo que tem o poder de suplantar algumas limitações.
Não sou alguém saudosista, agarrado a premissas ou estereótipos sociais, cada um é como é, como quer ser, cada um escolhe o seu caminho, o certo ou errado , a procura da felicidade ou a sua vivencia à individualidade diz respeito..
Prefiro o preto ou o branco, sim ou não, não me dou bem com os cinzentos ou os talvez, faço questão de colocar objectivos a mim próprio, viver um dia de cada vez mas sabendo que há um tempo para termos tempo e há uma altura de conseguirmos tempo entre os tempos que vamos tendo..
Deixem-me falar da pesca..
A pesca não é apenas apanhar peixe, além de ser um pensamento redutor é errado , é um ritual, um sentimento permanente de inquietação, os grandes pescadores que conheço são irrequietos, são pessoas de várias idades, filhos, pais, irmãos ou avôs ,mas traquinas, têm fome de conhecimento, funcionam como uma esponja a absorver vários pormenores mesmo que inicialmente aparentem não ter ligação entre eles, não tomam nada por garantido e evoluem sem esquecer o passado..
Depois há aqueles que são os fora de serie, viram e fizeram primeiro, irrequietos igualmente, incorformados ,questionaram e voltaram a questionar, adaptaram e adaptam-se, são aqueles que inicialmente lhes disseram que estavam errados, depois disseram-lhes que a sua abordagem não era exequível para no fim se renderam e afirmarem que já se tinham lembrado dessa abordagem mas por uma razão ou outra nunca a experimentaram.
A pesca é inquietude que nos traz paz..
Eu não sei onde me incluirei, uma coisa sei, ser grande pescador não o serei de certeza, não assim o considero mas a minha paixão pela pesca..essa sim é enorme e infindável..
Continuando:
Durante a nossa vida ganhámos muita coisa mas perdemos outras tantas, por norma todos nós só concretizamos o que perdemos quando já não podemos ter o que o tempo, a vida ou a morte nos levou.
No período compreendido entre a criação deste blogue até ao dia em que escrevo este texto os mais dispares acontecimentos ocorreram na minha vida, grandes alegrias, tristezas e percas irrecuperáveis.. Continuo a ser a pessoa apaixonada pela vida que sempre fui, alguém que não faz nada por fazer.. Para uns o 8 e para outros o 80 mas sentindo sempre que o importante é não ser quadrado..
Terminando:
É a altura de terminar o blogue, se em tempos parei e disse que um dia mais tarde voltaria neste momento não, é chegada a altura colocar o Robalos na Alma no compartimento dele.
Aqui já não escrevo com paixão e sem sentimento não vale a pena fazer nada.
Não me revejo em muitas situações que vou lendo na blogosfera, não me identifico com o que vou vendo nos pesqueiros ou em conversas de vau de escada em lojas de pesca , a pesca é para ser sentida não é para ser um campo de frustrações, de interesses ou de primarismo cavernoso.
Continuar com o blogue era ser cinzento, isso não, prefiro mil vezes morrer de uma só vez que ir morrendo aos poucos e para quem ainda não se apercebeu a pesca em Portugal vai morrendo aos poucos, nas mais diferentes modalidades é só tricas e egos do tamanho da nossa costa, lobbys de importadores, patrocionios mal esclarecidos, é muita confusão para quem apenas gosta de pescar..
A partilha em Portugal é uma utopia, na pesca usámos materiais de ultima geração mas parámos no tempo como colectivo..
Muitos pescadores ou indivíduos que apanham peixe não querem saber de paixões ou emoções , partilha boa é só aquela que pode ter alguma contrapartida pessoal.. A malta quer é ver peixes, a monte, pendurados ou em tabuleiros, ensanguentados, querem saber de amostras que matem peixe e locais quentes, paixões é para pescadores menores, a partilha meus caros é uma utopia…
Alguém que já partiu destes pesqueiros um dia disse-me:
“São muitos a pescar mas há poucos pescadores”
Nunca mais me esqueci da frase, é actual como nunca.
Agradeço do intimo do meu ser a todos que perderam um tempo entre tempos a ler o Robalos na Alma, aos que apoiaram, aos que construtivamente criticaram, aos que valorizaram ou depreciaram. A todos sem excepção, aprendi a fazer melhor e a nunca fazer igual..
Sejam felizes, sejam vocês , não alinhem em tudo que parece ouro, não tentem ser uma cópia de pescador que conhecem, no máximo serão uma boa cópia mas nunca serão diferentes.. Sejam apaixonados pela pesca e pela vida são os meus votos a todos.
Sejam felizes
Eu continuarei a procurar o próximo objectivo, o próximo peixe...
sábado, 22 de março de 2014
Defeso Natural?
E como fica a teoria do defeso natural..?
Já por aqui escrevi algumas linhas sobre o defeso e a desova
dos robalos, os picos da desova nas zonas que frequento ocorre entre Janeiro e
Fevereiro.
O fim de 2013 e os
dois primeiros meses de 2014 foram pautados por intempéries vários, com mares
muito agrestes o que praticamente não permitiu a pesca lúdica e profissional durante esse
período.
É comum ouvir que essas condicionantes que mãe Natureza nos brinda de quando em vez proporciona um defeso natural na altura da desova dos
robalos.
Sem qualquer fundamentação cientifica ao longo dos anos
sempre fui observando que dependendo das condições do mar a desova ocorria mais
cedo ou mais tarde.
Na realidade já visionei picos da desova em vários meses,
provavelmente Janeiro deve ter sido o mês em que mais picos se registaram.
De rigor cientifico o que afirmo nada tem, porque a única argumentação
é pouco vinculada a números e variantes , o que mais facilmente constato são as
capturas de peixes ovados, por existirem menos ou mais capturas nada me garante que estejam a
ocorrer picos de desova, agora o que é indesmentível é que se em Janeiro e
Fevereiro tivessem sido meses com condições de mar normais para o período em
causa em Março não estariam a existir tantas capturadas de peixes ovados..
Por norma em Março é tipicamente um período de pós desova
dos robalos, com capturas escassas e os peixes maiores por norma encontram-se
fracos e magros.
Penso que os robalos também têm que ter reunidas algumas
condições para desovar e não me parece que mares com grandes ondulações e
correntes fortíssimas proporcionem o ambiente ideal..
Por isso a teoria do defeso natural nunca me convenceu,
existe um defeso porque ninguém consegue pescar mas daí a garantirmos que
existiu uma desova não me parece ser o cenário real.
Mediante as condições os robalos protelam a desova..
Este Março aparentemente constata isso, os primeiros mares
que eram pescáveis eu não fui pescar,
continuei a divertir-me com as trutas ,que este ano, principalmente as mariscas
têm dado muitas alegrias mas a saudade da maresia apertou e fui fazer umas
pescas aos robalos.
No primeiro dia que fui pescar de manhã penso que fiz o
mais difícil que foi não apanhar um robalo! Vi variadíssimas capturas e soube
de inúmeras, na maré da tarde e nos dias seguintes a história já foi diferente,
foram dias com muito peixe, para mim e para vários pescadores, em larga escala
o peixe estava ovado, algo pouco comum para
a segunda quinzena de Março.
Tenho amigos em vários locais de Portugal, na realidade de
Aveiro até à Galiza o peixe apareceu em força, nuns locais mais, noutros menos
como é habitual mas o factor comum era que o peixe estava ovado, ou pelo menos
grande parte das capturas..
Acho mesmo que o mais difícil seria não apanhar um peixe
grande nos dias que se seguiram aos três meses de intempérie que passaram,
existisse mais tempo para pescar porque o peixe não faltou..
Agora sim parece-me
que vamos entrar na pós desova…
Muito honestamente estas pescas não me encantam ou realizam a 100%, apanhar peixes grandes ou fazer marés engraçadas no período da desova é banal, de Abril até finais de Outubro o encanto é diferente, os peixes grandes não andam tão acardumados e a luta dos mesmos não é comparável com um peixe ovado..
Um peixe de 6 ou 7 kg ovado não é o mesmo que um peixe do mesmo peso em Agosto, pelas mais variadas razões..
Durante uns tempos vou brincar novamente com as trutas..
Boas pescas a todos
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Abertura da pesca às trutas 2014, o património de todos
Faltam poucos dias para um dos dias mais aguardados no seio
de pescadores desportivos nacionais, a abertura da pesca às trutas!
Que dizer sobre o mesmo? O dia é sempre um dia especial,
para mim é já uma tradição familiar de longos anos, não será com certeza o
melhor dia de pesca mas é sempre diferente dos outros.
Na realidade a loucura já não é a mesma de outros tempos,
essa fase já passou faz alguns anos, na verdade também cada vez são menos as
trutas, as populações continuam a regredir a passos largos
Não deve ter existido peixe tão perseguido de água doce em Portugal como a truta, a sua pesca, histórias e peripécias são um património
colectivo de várias gerações, é sem duvida o peixe rei de Portugal não
desprezando o achigã que chegou mais tarde a Portugal.
E não é por coincidência que refiro a palavra património
várias vezes, as trutas, a sua pesca, a sua história deve ser preservada a todo
o custo, se o Estado nada faz por esse legado façamos nós, pesquem sem morte,
preservem o futuro e os ecossistemas tão sensíveis e pequenos onde as mesmas
habitam.
Pouco faltará para o regime de águas concessionadas brilhar e imperar na maior parte dos rios, o Estado Português encontrou a solução ideal de se ilibar do seu papel como Entidade principal e reguladora das massas de água nacionais, a troco de meia dúzia de euros transmite e hipoteca a gestão a clubes e a associações de largos km de rios e albufeiras, há excelentes casos de concessões com muito trabalho e dedicação do concessionário mas em larga escala o mais comum é encontrámos um feudalismo hidrográfico.
Como o livre acesso a águas que deviam ser de todos e para todos está condicionado cada vez mais os rios livres vão ficando desertos de peixe, apesar que em algumas águas concessionadas o cenário não é melhor.
Acalento a esperança que um dia esta mentalidade mude, a cada um de nós compete denunciar e responsabilizar as situações ilegais mas também compete a nós cada vez mais pescarmos em consciência e com a consciência que os recursos são finitos e cada vez mais estão severamente afectados pela influência do Homem.
Quem desejar efectuar pesca com morte penso que o deverá fazer em sítios concessionados, de preferência com trutas oriundas de repovoamento, ainda há rios com populações autócnes de trutas, qual o sentido de as matar e hipotecar definitivamente um património com um valor incalculável?
A minha linha de pensamento é simples, se eu não matar mais trutas haverão nos rios, façam as contas e pensem em escala e multipliquem as vossas capturas por centenas de pescadores..
A simbologia e tradições ligadas à sua pesca faz já parte do meu património humano, as viagens com familiares ou amigos são repletas de episódios que um dia à devida distancia do tempo terão um lugar de eleição nas memórias da minha pessoa.
Para terminar não pensem que sou um fundamentalista que se coloca num pedestal a apontar o dedo a todos os pescadores que matam ou pior ainda que pertenço aqueles que presunçosamente pensam que pescar com iscos artificias nos dá livre transito para sermos superiores a outras técnicas e outros pescadores, essa corrente de pensamento é facilmente encontrada em alguns pescadores de pluma.
Há e deverá existir espaço para todos, o amor e o respeito a um peixe não se traduz da maneira como pescámos mas sim com estamos na pesca.
Pensamentos de clivagem completa não são saudáveis em nenhum meio, se queremos mudar alguma mentalidade é argumentando e fundamentando, olhares de soslaio nada de positivo trazem..
Divirtam-se a partir de dia 1 de Março, sozinhos, com familiares ou amigos mas preservem e para preservar não é preciso entrar em extremismos fundamentalistas, apenas é preciso ter consciência e pensar no dia de amanhã.
São poucos os pescadores que desde sempre pescaram sem morte, eu também pesquei com morte muitos anos e à outros tantos que o deixei de fazer e muito honestamente sinto-me muito melhor assim, já não consigo pescar trutas ou qualquer outra espécie de água doce de outra forma, uma foto valerá sempre muito mais que uma refeição, uma foto é eterna..
Propositadamente coloquei fotos de peixes capturados ao spinning referentes ao inico de Março do ano passado, também podem atentar que em alguns casos não é a melhor forma de manusear trutas, coloca-las no solo é nefasto a todos os níveis, não gosto de passar imagens imaculadas, preocupo-me em transmitir pensamentos e linhas por onde me norteio o que vos posso garantir é que todas as trutas das fotos foram devolvidas e algumas ainda por lá nadam à espera que alguém as volte a capturar e a divertir-se..
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Spinning na costa e os pontos de água
Um dos factores mais importantes no sucesso das nossas
saídas de pesca é sem duvida a escolha do pesqueiro.
Há um pensamento e uma frase que me ocorre muitas vezes
mentalmente e outras tantas em conversas com amigos: Onde há água há peixe..
Haverá sempre pesqueiros melhores que outros, existirão
sempre pesqueiros temporários devido ao dinamismo do mar e movimentação de
areias ou então porque entraram em larga escala espécies presa dos peixes.
Mas em grande medida, onde há água pode haver peixe.
Há frases que fazem parte do léxico dos pescadores que
muitas das vezes não se perde o tempo necessário em decifrar o sentido das
mesmas:
É a maré ideal para este pesqueiro
Este pesqueiro é bom de preia mar
Ainda é cedo para o peixe entrar no pesqueiro
Já não tem peixe no pesqueiro
A maré está mesmo no ponto para dar peixe
Vou só fazer a maré
Muitos dos pescadores preocupam-se em saber onde são os
melhores pesqueiros ou até onde pesca pescador x ou y, muitas das vezes vão
pescar para pesqueiros referidos ou de referência mas na altura errada e em
condições não favoráveis.
Há várias coisas que temos que separar por isso vamos por
partes:
O ponto de água:
Chamamos ao ponto de água o espaço temporal da marés em que o
pesqueiro tem a quantidade de água ideal para ter peixe.
Há dois tempos que são quase consagrados universalmente como
excelentes para capturar peixes: o preia mar e o baixa mar , muito
genericamente esta ideia é correcta, porque ambas marcam períodos de mudança no
meio onde os nossos alvos habitam.
Durante a evolução
das marés muito mais se passa, quem pesca na costa fica refém da amplitude e
ponto das mesmas para pescar em pontos específicos mais ou menos avançados mar
dentro, um erro muito comum é em marés a vazar pescadores quererem avançar o
quanto antes para pedras mais avançadas porque pensam que assim tem mais
hipóteses de capturar peixe.
Todos os pesqueiros tem pontos de
água mas os mesmos interagem com as condições do mar, ondulação mais ou menos
forte é o suficiente para colocar ou retirar um pesqueiro no ponto de água com
as condições ideias para capturar peixes ou não.
A perder água ou a meter água no pesqueiro?
Há uma simples observação que podem fazer em ambientes
mistos na costa, nos caneiros ou poças de água deixados a descoberto pela
descida da maré atentem na vida animal dos mesmos enquanto a maré desce e
voltem a ver os mesmos quando começam a chegar as primeiras águas da enchente,
o resultado na esmagadora maioria é um dinamismo impressionante de várias espécies,
onde anteriormente tínhamos visto alguns camarões, caranguejos ou cabozes agora
vamos ver muitos mais , em deslocação e em maior dinamismo.
Não quero dizer que durante a baixa mar os mesmos não
tivessem lá, na maior parte das vezes estão mas entocados ou escondidos E com a
maré a encher sentem que é a altura de se movimentar, alimentar e deslocar, a
vazar acontece o mesmo mas aos nossos olhos não é tão perceptível.
Os robalos e outros predadores acompanham estes movimentos,
acompanham a maré, entram e saem dos pesqueiros, muitas das vezes devido à
dinâmica da água outras tantas esperando a oportunidade de uma refeição.
Para quem se preocupa em registar as suas saídas de pesca e
a formar padrões com o tempo vamos descobrir que há pesqueiros que são melhores
com a maré a subir, outros exactamente o inverso e outros no decorrer das marés
mediante a sua acessibilidade perante o coeficente de altura de maré sempre
conjugado com o estado da agitação do mar, existirão ainda casos tanto de preia
mar como baixa mar o mesmo pesqueiro é excelente, na realidade onde há água há
peixe.
Há pesqueiros que de dia me deram alegrias escassas e pela
noite tem sido palco de imensas alegrias
Para quem vive perto de estuários as cinergias ainda são bem mais interessantes porque além
de termos o próprio estuário para pescar nas praias adjacentes mediante a
estação do ano os pesqueiros ficam mais ou menos repletos de vida..
Sobre pesqueiros e suas características há uma realidade
absoluta, ou fazemos imensas pescas e vamos descobrindo os seus pontos de água
ou temos que ter alguém que nos diga como os mesmos funcionam.
Aprendi muita coisa sozinho com muitas grades às costas mas
aprendi muito com outros pescadores, não só aos que se dedicam à pesca com
artificiais mas também com os senhores da chumbadinha ou surf casting..
O conhecimento dos pesqueiros é provavelmente a parte mais
difícil da pesca, há pormenores , manias, pequenos truques que só o tempo nos dá
, principalmente nos pesqueiros de ambientes
rochosos menos mutáveis vamos aprender
onde o peixe ataca as amostras, é incrível como em ambientes repletos de pedra ano após ano vamos apanhando peixe sempre no mesmo local e a escassos metros
ao lado raramente fazemos a festa..
Se me perguntam se tenho segredos na pesca, tenho, sobre
amostras,técnicas e outros se o faço é inadvertidamente sobre os pontos de
água a história é diferente.
Sei que não posso querer os pesqueiros só para mim mas
depois de perder tanto tempo em alguns e acordar às 5 da manhã para chegar ao
local e ver 15 pessoas penduradas nas pedras não posso dizer que seja um sonho
que acalente ver muitas vezes , muito mais porque já passei por essa situação várias vezes.
Nunca entendi como na costa com uma massa tamanha de água e
inúmeros pesqueiros por vezes assisto a romarias nos pesqueiros, chegámos a um
ponto que não é preciso saber que deram 30 peixes num pesqueiro para que no dia
seguinte estejam lá 20 pescadores, basta por vezes um único peixe para fazer
essas movimentações.
Considero-me uma pessoa privilegiada em muitos aspectos, um
dos quais com o decorrer dos anos ter feito excelentes amigos na pesca que
vamos falando amiúde, por cada vez que soubesse onde andava a sair uns peixes
fosse ter com eles seriam raras as vezes que pescava na zona onde pesco.
Para quem lê o robalosnaalma e me tem em consideração deixo
aqui um pequena mensagem, a partilha de conhecimentos é vital, faz parte da
nossa condição humana mas para aqueles que querem sentir a verdadeira essência
da pesca não se preocupem em correr atrás dos peixes porque ouviram alguma coisa,
insistam onde gostam de pescar, onde logisticamente vos é mais acessível,
pratico e rápido, robalos há em todo o lado, conheçam a vossa casa e de quando
em vez visitem os amigos e acreditem que
vão ter alegres e enormes surpresas.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
First fish
Vale a pena ver porque nem só de peixes vive a pesca, com este filme lembrei-me do meu passado mas igualmente do futuro
First Fish from norcal on Vimeo.
First Fish from norcal on Vimeo.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Breaking the surface
Algumas imagens podiam ser no Lima ou no Minho,mas não... São do Canadá..
Grande, enorme trailer de uma das minhas marcas predilectas, tem cada "toma" na superfície que se torna arrepiante.
Tirem o chapéu e curvem-se perante o rei dos peixes, depois sentem-se, relaxem e apreciem:
Breaking the surface :: Loop Tackle Design from Loop Tackle on Vimeo.
Breaking the surface :: Loop Tackle Design from Loop Tackle on Vimeo.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Estado on
Para muitos resulta difícil tentar imaginar a pesca sem canas de compósitos de carbono,
linhas multifilares ou a ultima novidade em amostras japonesas. Para outros será
praticamente impossível planear pescas sem sites de previsões meteorológicas como o
windguru..
Na realidade não é preciso recuar muitos anos para nos encontrarmos na situação em
que não existiam esses materiais para pescar, e olhávamos o mar com a incógnita de
como o iríamos encontrar no dia seguinte.
Tive a oportunidade de viver essa fase de transição, das sportex ao mais recente
carbono , dos Sofi aos Stellas , da linha Araty ou bayer aos mais avançados
fluocarbonos..
Assisti a uma grande evolução de materiais , vagarosamente entraram para de
seguida assistir a uma brutal massificação dos mesmos … e a evolução continua , se
assistiremos a outro salto tecnológico em tão curto tempo só o futuro o dirá..
As distâncias ficaram mais curtas, o próprio mundo também, a Internet revolucionou
o mundo, encurtou o tempo de circulação de informação, é agora o palco de tudo, um
mundo virtual com estranhas ligações para o exterior, para o verdadeiro: aquele em que
se olha nos olhos de um amigo ou sente-se o peso da experiência numa pele enrugada.
Cada um de nós sente a pesca de maneira diferente, assim o é em todos os aspectos da
vida, há pescadores para todos os tipos, do vulgar contador de historias pouco prováveis
ao mais humilde dos praticantes.
Quando comecei a pescar as coisas eram mais simples, as pessoas pescavam porque
gostavam ou necessitavam, tinham uma cana e um carreto e o mesmo já era um grande
investimento. Agora temos várias canas e carretos e continuamos à espera da próxima
novidade, daquele carreto mais leve ou de um artificial realista.
Também me lembro que quando comecei a pescar os pescadores já diziam que
antigamente é que dava muito peixe, curiosamente essa expressão é muito utilizada
ainda no presente, na pesca e mais uma vez repito como na vida há coisas que nunca
mudam, tal como algumas pessoas.
Muito honestamente afastei-me da Internet pelas mais variadas razões uma dela
era que começava a ficar com reminiscências de misantropismo sobre uma parte de
pescadores que vagueavam pela Internet , tantas as incongruências próprias de quem
quer mas não pode que cansaram a alma, decidi desligar a 100% do meio
cibernauta
Nos últimos meses efectuei um reset a muita coisa e o misantropismo começou a dar
origem a várias gargalhadas, voltei a caminhar por onde já fui muito feliz, em sítios
onde não há cinzentos, há o preto ou branco, a sinceridade ou a mentira na resposta que
já conhecemos de outros tempos, sem duvida que prefiro o mundo real por mais cru
que por vezes só ele pode ser, a Internet facilita a comunicação , abrange um leque mais
amplo de pessoas e em dois cliques comunicámos com alguém do outro lado do mundo
com outras experiências e vivências mas no final é na areia e em cima das pedras que
tudo se funde e resolve..
O robalosnaalma não é um blogue de massas, escrevo sobre o que quero, quando assim
o entendo e partilho muitas das vezes nos espaços que vagueiam entre as palavras e nas
ligações de posts que por vezes parecem não ter encadeamento ou uma simples ligação.
Não é um blogue de massas porque não perco tempo em publicitar o blogue, não
sigo outros blogues com o único intuito de conseguir links de escala ou escrevo
comentários para estabeler ligações para este.
Não preciso de ser o melhor, nem o mais visto ou mais falado, sigo os blogues que algo
me dizem e por aí me fico.
Bem sei que não agrado a todos, ainda bem que assim o é porque eu também não gosto todos os seres humanos que conheço , respeitar sim, gostar ou apreciar são coisas bem distintas..
Não escrevo por escrever, quem por aqui passava apenas para saber se algumas capturas
se iam realizando desiludiram-se, as fotos aqui colocadas tem um grande desfasamento
temporal entre as capturas e a sua publicação, também não faço questão de fazer
grandes zooms nas fotos para fazer crer que um peixe de 600 gramas tem 2 kg , são
técnicas já do tempo de outra senhora que a mim nada dizem..
Preocupo-me apenas em colocar fotos de peixes que tente dignificar os mesmos dentro
das possibilidades, um animal morto em qualquer das circunstanciais de digno nada
tem.
Tenho a mais pura das certezas que há imensos pescadores que são melhores que eu ,
da mesma forma que sinto que igualmente existem muitos que tecnicamente serão
inferiores mas não admito que exista alguém que diga que tem uma paixão maior que
a minha pela pesca, pela água , se eu fosse pescar apenas pelo facto de pescar peixe há
muito que já não pescava..
A vida tem que ser um constante desafio, um renovar de objectivos, da capacidade de
sonhar, uma perpetua vontade de derrubar barreiras sendo que o mais importante não
é chegar ao fim de um caminho mas sentir que o caminho é infinito e não ter vergonha
da maneira que se caminha , na mais simples das duvidas encontram-se as maiores
respostas a segredos e obstáculos.
Uma das coisas que mais prezo é a liberdade de pensamento sobre o que aqui escrevo,
não sou patrocinado por ninguém, não tenho qualquer tipo de ligação a nenhuma marca,
dá-me igual se falam bem de marca x ou y… , não ganho um euro de nenhuma marca
e no meu futuro próximo não está nos meus horizontes ter qualquer tipo de ligação
ou parceria com a industria da pesca desportiva, mesmo quando escrevia artigos para
alguma imprensa especializada uma das condições que exigia era que nas páginas dos
artigos não poderia aparecer qualquer tipo de publicidade de marcas, não quero nem
queria o meu nome ligado a nenhuma , a minha vida profissional é distante da pesca
desportiva, ter um blogue para ser um canal de influencias de vendas deixo para outros.
Não posso de maneira nenhuma repudiar quem é patrocinado, cada um sabe o que quer
para si ou necessita, se um dia eu fosse patrocinado também vos garantia que deixaria
uma mensagem de esclarecimento como já vi num blogue de Espanha , chama-se a isso
transparência…
Na pesca tenho momentos antagónicos, se umas vezes dou comigo a cruzar tanta
informação para encontrar uma explicação ou um simples padrão em outros limito-me a
ir pescar e de ambas as maneiras sou feliz porque no inicio ou no fim a pesca é simples:
Um pescador e a sua vontade de capturar peixe e para o conseguir a resposta é
tremendamente fácil:
Estar no sítio certo, à hora certa a pescar da maneira ideal ou mais eficaz.
Tudo o resto são as improbabilidades ou probabilidades a funcionar, um exercício
simples é pensar que quem for mais vezes à pesca e mais tempo pescar, mais peixes irá
apanhar.
Mas na realidade há pescadores que vão menos vezes à pesca e apanham mais peixe que
muitos outros que passam o dia nos pesqueiros, como isso acontece?
Estar no sitio certo, à hora certa a pescar da maneira ideal ou mais eficaz.
A pesca ainda tem alguns segredos mas tudo se resume a :
Estar no sitio certo, à hora certa a pescar da maneira ideal ou mais eficaz.
Acho engraçados pensarem que ainda há amostras secretas, daquelas que apanham
peixe em todas as situações.
Não, não há, se assim fosse já não havia peixe para capturar e para algumas pessoas
que pensavam que não escrevia sobre amostras em particular porque teria amostras
secretas, que lançavam 100 metros e disparavam relâmpagos no ar, desenganem-se.
Não escrevia porque não queria influenciar ninguém na compra de algo ou muito
menos que alguém pensasse:
“ Olha mais um a ver se convence mais gente a comprar amostras da marca x”
E nesta nova etapa é algo que irei falar também, se dou a opinião sobre algo concreto a
quem me pergunta, porque razão não o faria aqui também?
Nos processos mais simples encontrámos as maiores alegrias , e por vezes os
pescadores de spinning têm a tendência a ligar o complicador e uma das análises que fiz
ao longo dos tempos foi essa mesmo, nos momentos em que ligo o complicador são os
períodos em que menos peixe apanho, na certeza porém que foi o complicador que me
abriu a porta a muitas situações , a novas perspectivas e abordagens..
Como na vida o segredo está no equilíbrio e ter presente que aprendemos com todos, é
no mais simples dos comentários que encontrámos a resposta que tantos procurámos,
Por saber que o caminho é infinito este espaço encontra-se oficialmente em estado on.
Até já e boas pescas.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Contra todas as probabilidades, robalo de 9,170kg
Há quem acredite nas coincidências ou num destino pré definido.
Por norma tento encontrar explicação nos acontecimentos ou na sua interligação, explicar aquilo em que não acreditámos é um exercício bem mais difícil, pelo menos assim o é para mim.
Na prática todas as decisões que tomámos ao longo da vida têm a sua influência no futuro, às vezes com consequências imprevisíveis condicionadas por pequenas decisões.
Na pesca assim o é também, estar na altura certa e no lugar certo por vezes pode ser um exercício matemático de probabilidades mas há momentos que todas as probabilidades podem ser derrotadas ou em que simplesmente o improvável acontece.
Com muito prazer que me identifico com a pesca, sempre assim o foi desde que me recordo de ter memória.
A pesca esteve comigo desde sempre e eu sempre estive com a pesca, tive a felicidade de viver momentos inesquecíveis a pescar em criança, adolescente e já em adulto, não se pode viver do passado mas é igualmente impossível viver sem recordar o mesmo, penso que vivi na pesca dia após dia com objectivos diferentes, à distancia do tempo penso que consegui atingir todos os objectivos a que me propus, ao longo dos últimos anos acho que desfruto da pesca na sua plenitude, já não me preocupava em apanhar peixes grandes ou tentar descobrir aquele segredo guardado a sete chaves por alguém, já à muito que deixei de acreditar em amostras ou técnicas infalíveis, a idade acabou por fazer o seu trabalho.
Falando de robalos faz já muitos anos que tinha batido a barreira dos 8 kg num fim de tarde na foz do Douro algo que por aqui já escrevi.
Em média no fim de um ano devo pescar entre 3 a 4 vezes por semana, depois dessa tarde nunca mais bati essa barreira, fiz pescas brutais, apanhei peixes grandes, a barreira dos 6 e7 kg bati várias vezes, a partir dos 8 nunca mais, imaginem o numero de vezes que já pesquei depois disso, penso sinceramente que depois desse dia ferrei 2 peixes que podiam bater esse peso, perdi os dois.
Voltando atrás no texto, coincidência ou não nesse fim de tarde que apanhei o peixe peguei na cana para fazer tempo para o Jantar que por sinal até ia ser uma reunião familiar como agora ainda o fazemos semanalmente, nesse final de tarde apanhei esse peixe e mais três, todos eles excelentes peixes, um peixe acima dos 6 e dois entre os 3 e os 4 kg., dificilmente esquecerei esse dia porque foi o dia em que capturei o meu maior robalo mas também porque foi uma coincidência ter ido pescar, não tinha nada planeado e nem sequer a maré era das mais indicadas para aquele local, lá estão as probabilidades a enganar ou apenas o improvável a acontecer.
Sempre tentei ser o mais racional possível na pesca (retirando a parte das aquisições das amostras), sempre gostei de ir preparado para diversos cenários no entanto existiram pescas atípicas e sem qualquer tipo de condições e planeamento que me fizeram crer ao longo dos anos que na pesca basta ir pescar, concordo que há padrões, existem factores, condicionantes, muitos já abordei por aqui e penso que temos que padronizar as nossas pescas para aumentar as capturas, saber o porquê das grades e das capturas é importante em pescas futuras mas esquecemos sempre o improvável.
No mês de Dezembro por norma pouco pesco, por razões que nem sequer são pertinentes para este texto, mas as vezes que vou pescar são mesmo muito reduzidas.
O mar há vários dias que não tinha condições para pescar, observava-o diariamente e poderia existir uma pequena janela para pescar numa quarta-feira pelas previsões do Windguru, essa bela ferramenta que tantas vezes nos engana.
A Quarta feira chegou e de manhã como habitual fui ver o mar, bem… nada de especial e muito forte ainda, a janela prevista estava para depois do almoço, na véspera tinha comentado com dois amigos que ia lá pescar uma hora mas a vontade já não era muita depois do que tinha visto pela manhã.
Depois do almoço, pego na cana e carreto e começo o ritual da escolha das amostras amostras, só que a meio desisti, decidi levar a cana, o carreto, uma caixa com zagaias e meia dúzia de vinis tudo dentro de uma mochila estanque, decidi ir pescar de waders algo também que raramente vou fazendo. A motivação estava em baixo, aquelas condições não me despertavam confiança.
Ao sair de casa ligo ao Valadas a perguntar onde andava, estava num pesqueiro mas o mesmo não tinha condições e decidimos encontrarmo-nos noutro, quando já cheguei lá estava ele a fazer o seu famoso nó, enquanto ele tratava do terminal fui ver o pesqueiro e com aquele vento e sem água naqueles caneiros a sorte parecia que não ia ser muita.
Combinámos então ir ver um outro e nesse as condições eram melhores só que o vento era insuportável, lembro-me de estar a vestir o wader e a pensar “ que perca de tempo, devia ter era juízo”.
Lá fomos os dois e retirando o vento o mar até estava com algumas condições, pescável mas no limite, um caneiro, dois caneiros e nada, na verdade sinceramente não esperava capturar nada.
O Valadas a determinada altura pescava com uma Saltiga e exaltava as qualidades da mesma, eu continuava com uma zagaia a lançar em leque, lembro-me de ter trocado o atrelado da mesma duas vezes, falávamos do pesqueiro e dos peixes que já se perdeu devido à dificuldade do mesmo, muitas pedras e para complicar pescámos a cerca de 2/3 metros da água.
Até que o improvável acontece: ferro um peixe e o que acontece a seguir as palavras serão sempre escassas para retratar:
Ferro o peixe e a cana dobra automaticamente como se de uma mola se tratasse, o peixe inesperadamente não leva linha, sobe à superfície, chega à superfície debate-se com força e começa um corrida para o fundo, lembro-me de estar com o peixe e de ouvir o Valadas a comentar que quando o peixe bateu na superfície pensou que fosse a onda a bater num floreado rochoso meio submerso que lá tem, o peixe pedia linha e linha ele teve, a girar a manivela ao contrário pensava como haveria de tirar o peixe da água.
O mais difícil estava para vir, porque naquele ponto de maré não conseguíamos chegar à linha de água para cobrar o peixe, sabia que não podia encostar o peixe às pedras sem saber em que sitio o tinha que fazer, a única hipótese era segurar o peixe fora e pensar como o cobrar, o problema é que esta não é daquelas situações que nos podemos sentar e pensar como fazer, ou tomámos decisões rapidamente ou adeus peixe.
O Valadas e bem dizia para segurar o peixe fora, só que pescávamos paralelos à rebentação com a agravante que tinha pedras pela minha direita e esquerda, todas altas, o peixe para ser cobrado tinha que ser pelo sitio onde nos encontrávamos além de ainda não saber onde iria encalhar o peixe o mesmo lutava e com a rebentação a empurrar o peixe no sentido das pedras à minha direita.
Tentei descer a pedra pela esquerda, o Valadas dizia que por aquele sitio não ia dar e tinha razão, voltei a subir e olhando para a direita descubro uma pequena hipótese: descer a pedra onde me encontrava e saltar para outra, mesmo assim não chegava à agua, o salto não era difícil, o peixe já se encontrava cansado, o problema era a rebentação que teimava em arrastar o peixe para as pedras e sempre que vinha uma vaga tinha que forçar o peixe para ele não ser arrastado, só tinha que saltar e manter a linha em tensão, assim pensei e assim o fiz, mais próximo da água já estava, mas o metro que faltava pareciam 10 metros, o Valadas já me tinha seguido e foi graças a ele que surgiu a solução: A ideia seria arrastar o peixe por cima de uma pedra com a ajuda da vaga, quando a vaga passava a pedra enchia igualmente um buraco entre pedras, nesse buraco o Valadas conseguia chegar ao peixe, o único senão era que se não o conseguisse agarrar na primeira tentativa a água iria recuar e o buraco ficaria sem água e o peixe iria acompanhar a descida da água, se isso acontecesse o mais certo seria perder o peixe.
Era uma hipótese… Convenhamos que era a única possível, esperámos pela vaga certa e forcei o peixe com o material no limite quase a ceder à rebentação, arrasto o peixe por cima da pedra e assim que o peixe cai no buraco o Valadas consegue agarrar o peixe pela guelra.
Foram dez minutos de adrenalina ao máximo com algumas gargalhadas pelo meio, sabia que era um peixe grande mas só tive a real noção quando dei a mão ao Valadas para o puxar para cima e ele o colocou aos meus pés.
Recordo muitos pormenores da captura mas dificilmente esquecerei a alegria que ambos sentíamos, lembro-me que ficamos durante uns breves segundos em silencio a olhar para o peixe e depois foi a explosão de alegria.
O improvável aconteceu: condições péssimas para pescar, pesqueiro de dificuldade extrema e um robalo de 9.170 gramas, depois de tantos anos bati novamente a barreira dos 8 kg.
Tenho a perfeita noção que um peixe deste tamanho não define um pescador, porque poderia pescar dia após dia e nunca encontrar um peixe desse calibre, tenho noção que o improvável, a sorte e o destino tiveram comigo nesse dia mas também teve o Valadas que sem ele era impossível cobrar aquele peixe, aliás tenho sérias duvidas que um pescador sozinho naquele local conseguisse cobrar o peixe.
Para terminar quero dizer que são estes momentos que só os pescadores verdadeiramente apaixonados entendem, na memória ficará o peixe mas fica igualmente a alegria do genuína do Valadas com a captura, se levo muitos anos a pescar o Valadas ainda mais, e quando estamos presentes em alegria genuína tudo tem um sabor diferente, uma pureza que não merece ser manchada por palavras, ao Valadas o meu obrigado.
Mais tarde apareceu outro amigo: o Pedro e depois o meu irmão com outro amigo o Marcos, e durante 30 minutos o peixe foi o Rei.
Quem vai acompanhando o robalos na alma sabe que não faço relatos de pescarias com frequência, quando criei o blogue necessitava de um espaço para colocar algumas ideias, eram quase inexistentes os blogues de pesca no Norte de Portugal, tentei durante anos ir mantendo este espaço com imparcialidade e completamente isento de marcas ou correntes de opinião do exterior, o relato de hoje é para partilhar uma das coisas mais puras que tenho:
O prazer de pescar, a alegria que tenho de saltar de pedra em pedra, de sentir o cheiro a maresia e de sonhar com os peixes, o momento em que deixar de sentir esse prazer ou ilusão a pesca perde o sentido, nunca criei este espaço para gáudio pessoal, o que me interessava partilhar era uma paixão..
Nunca me arrependi de nada na minha vida, este espaço também faz parte de uma etapa, é chegada a altura de me ausentar deste espaço, quando faço algo tenho que o fazer com gosto, paixão e dedicação, há alturas que os níveis de saturação atingem picos e é nessa fase que me encontro faz já largos meses, chegou a altura de oxigenar e perspectivar, desligar a ficha por vezes é importante e é o caminho que neste momento decidi.
Voltarei ao robalos na alma isso vos posso garantir, se daqui a 2 meses ou daqui a dois anos não faço a mínima ideia, prometo que um dia voltarei aqui a escrever.
A todos os que foram visitando e participando neste espaço o meu sincero agradecimento, graças a este espaço conheci pessoas fantásticas e só por isso já valeu a pena ter iniciado este espaço
Pesquem e estimem esta paixão maravilhosa, continuem a perseguir os vossos objectivos e continuem a sonhar com peixes grandes, seguirei perseguindo os peixes, com a mesma ilusão de quando era um miúdo, no fundo pescar é sonhar e quando perdemos a capacidade se sonhar perdemos um pouco da nossa condição humana
Faço esse interregno com a mensagem que ainda há peixes grandes daqueles que aparecem nos nossos sonhos mesmo que por muito mais improvável que pareça vale a pena pescar, vale a pena continuar a sonhar..
A pesca é um destino que nos amarra, com sol ou à chuva , de noite ou de dia quando as probabilidades assim o entenderem encontrámo-nos numa praia,até um dia amigos, bem haja a todos..
sábado, 10 de novembro de 2012
O spinning não é superior
Gosto de pescar porque me alivia a alma, o verbo aliviar é um verbo engraçado, populista até, se me perguntarem se fico aliviado quando vou pescar e entrando agora no campo dos adjectivos na realidade até são muitos os momentos na pesca que não consigo adjectivar, são momentos polarizados, antagónicos e absurdos:
Levantar cedo, roubar tempo ao descanso físico para chegar ao mar e ver o mar cravejado, minado e poluído de redes, ver pesqueiros em que o marisco é completamente rapado sem critério algum, (depre)apreciar pequenas multidões na maré vazia a varrer os pesqueiros,.. Não, não se pode dizer que me alivia a alma, não posso ficar aliviado quando vejo um património a ser delapidado, um património que não é meu, é de 10 milhões de Portugueses..
Não, não fico aliviado quando vejo pescadores de spinning a descer a areia e a olharem de soslaio e até desdém para um velho pescador de surf casting,
Não fico aliviado quando a pesca se torna numa passagem de modelos em que os pescadores de spinning descem a areia a caminhar em bico de pés, com a sua cana de carbono em altíssimo módulo, com o seu grip à cintura, em coldre ou estrategicamente colocado com o seu extensor , coletes à prova de bala, de água e de quedas, não, não fico aliviado mas em boa verdade se diga que já dei boas gargalhadas a escrever este parágrafo quando mentalmente me ocorreram algumas passagens.
Não, não fico aliviado quando os pescadores de spinning levam para o campo do exagero as suas teorias matemáticas sobre a pesca, os materiais e mais algumas divagações egocêntricas.
Não, não fico aliviado quando vejo pescadores de spinning com dois ou três anos de experiência a debitar discursos roubados , ideias por outros construídas sem reconhecer o verdadeiro tempo de aprendizagem , a experiência como algo intrínseco e necessário na pesca, como em muitas outras coisas na vida, porque ainda não perceberam que a pesca acaba por ser uma aprendizagem individual mas também colectiva e sempre infindável , que todas as teorias podem cair por terra porque lidámos com seres vivos, com vontade própria e um instinto de sobrevivência notável.
No outro pólo, fico aliviado quando vejo os velhos pescadores de surf casting a apanhar mais robalos que os modernos pescadores de spinning, fico muito aliviado quando aprecio o velhinho pescador de buldo a travar o bulrag na restinga e a provocar um ataque de um robalo mais voraz…
Fico aliviado no sentido mais puro do adjectivo quando constato que os robalos e todos os outros peixes não escolhem por quem são capturados, não ligam a títulos académicos nem a pescadores que possuem centenas de amostras, não escolhem as amostras ou os iscos porque são de origem japonesa a até foram muito caros..
Realmente o bom material ajuda, ajuda os bons pescadores a serem melhores pescadores mas apenas o material não vai fazer de ninguém pescador e infelizmente alguns (pseudo) pescadores só aprendem a ser humildes através dos peixes que teimam em não se deixarem enganar por eles..
Não,não sou contra a evolução nos materiais, até muito pelo contrário, adoro experimentar e aproveitar novas janelas de oportunidade, sou é contra a falsa permissa que os pescadores de spinning estão num degrau acima de outros pescadores que usam outras técnicas e que até não têm capacidade financeira para mais.
Fico aliviado quando constato que ainda há peixes grandes no mar no meio de tantos atentados..
Fico aliviado porque há pessoas fantásticas na pesca, como na vida, repletas de sabedoria, mas todas essas sem excepção são de uma humildade e liberdade de pensamento admiráveis, possuem uma mente aberta mas têm um bom senso e um sentido prático inabaláveis
E por fim quase me esquecia , a desova já começou em alguns lugares,pesquem em consciência e com consciência, a partir de agora é muito mais fácil tropeçar em grandes exemplares para a alegria dos mais egocêntricos que infelizmente aparecem em todos os lados.
Os pescadores de spinning não são superiores aos outros, convém alguém relembrar isso de quando em vez.
Assinar:
Postagens (Atom)















