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sábado, 20 de agosto de 2016

O dia seguinte ao anterior



O grande problema da pesca é que quando começamos a compreender um pouco da mesma já nunca mais conseguimos viver sem ela...

Como alguns sabem perdi um companheiro de pesca, mais do que um companheiro um amigo, algo que me vai atormentando todos os dias ou quase.

Não parei de pescar, penso que só o farei quando for impossibilitado pela doença ou pelas surpresas que a vida nos trás.

Em boa verdade os anos vão passando e algumas referencias nossas na pesca como na vida vão partindo para outros pesqueiros, para outros momentos..

Na realidade  o prazer que a pesca me dá ao longo do tempo viveu momentos distintos, existe aquela eterna obsessão de ver o mar a arranjar-se e sair disparado de casa para mandar uns plasticos para água na cíclica esperança de ferrar um peixe, mas os prazeres são distintos e vão se refinando com o passar das luas..

Há dias que saio para pescar para apanhar peixe, porque tenho a certeza quase inequívoca que os elementos da equação estão perfeitos para enganar os peixes,,
  Outros saio para inventar, não lhe chamarei fazer diferente, prefiro pensar que é ver primeiro mesmo quando alguém do outro lado do mundo já o viu primeiro do que eu..

Há  momentos que  o que me dá prazer é apanhar peixes com amostras diferentes, mesmo que no inicio as mesmas nem tinham sido projectadas para os robalos.

Sempre que vou pescar quero apanhar peixe, uns dias quero-o fazer com as equações que o tempo me deu em outros quero fazer desigual..

Na realidade continuo obcecado pela pesca mas a minha obsessão não são apenas os peixes, é como chegamos a eles..tenho objectivos na pesca, o que não deixa de ser uma afirmação curiosa, inevitavelmente passam por apanhar um peixe de x KG com determinada técnica ou em determinado cenário e mesmo quando penso que a seguir não vem outro a minha mente lembra-se de semear uma nova ideia que rapidamente se torna no objectivo a alcançar..

Por isso é que não tenho amostras preferidas, nem infalíveis e muito menos secretas, provavelmente se tivesse menos amostras era menos falível na pesca..

Voltando ao segundo paragrafo desta entrada o desaparecimento do Filipe coincidiu com uma vontade de mudar de ar, oxigenar, ao invés de ir pescar para a porta de casa decidi fazer-me à estrada e fui procurar novas equações, sair do matrix como diz um amigo meu..

Necessitava desse novo ciclo , de não saber onde o peixe come e os pontos de água.. de descobrir..

São raros os dias que não tenho saudades das longas conversas sobre pesca, mas a vida segue em frente, já seguiu...Começou no dia seguinte ao anterior e assim continuará..

Por ser o primeiro post após a sua partida esta foto é para ti amigo,

Continuarei de quando em vez como  sabes  na pesca a  olhar  para cima para falar contigo e discutir como vamos enganar um peixe..

Porque o que interessa é o dia seguinte ao anterior..



 


Um comentário:

Nuno Caçorino disse...

Artigo excelente! Os meus pêsames pelo desaparecimento do seu amigo. Abraço