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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Spinning na costa e os pontos de água



Um dos factores mais importantes no sucesso das nossas saídas de pesca é sem duvida a escolha do pesqueiro.
Há um pensamento e uma frase que me ocorre muitas vezes mentalmente e outras tantas em conversas com amigos: Onde há água há peixe..
Haverá sempre pesqueiros melhores que outros, existirão sempre pesqueiros temporários devido ao dinamismo do mar e movimentação de areias ou então porque entraram em larga escala espécies presa dos peixes.
Mas em grande medida, onde há água pode haver peixe.

Há frases que fazem parte do léxico dos pescadores que muitas das vezes não se perde o tempo necessário em decifrar o sentido das mesmas:

É a maré ideal para este pesqueiro
Este pesqueiro é bom de preia mar
Ainda é cedo para o peixe entrar no pesqueiro
Já não tem peixe no pesqueiro
A maré está mesmo no ponto para dar peixe
 Vou só fazer a maré

Muitos dos pescadores preocupam-se em saber onde são os melhores pesqueiros ou até onde pesca pescador x ou y, muitas das vezes vão pescar para pesqueiros referidos ou de referência mas na altura errada e em condições não favoráveis.

Há várias coisas que temos que separar por isso vamos por partes:

O ponto de água:

Chamamos ao ponto de água o espaço temporal da marés em que o pesqueiro tem a quantidade de água ideal para ter peixe.
Há dois tempos que são quase consagrados universalmente como excelentes para capturar peixes: o preia mar e o baixa mar , muito genericamente esta ideia é correcta, porque ambas marcam períodos de mudança no meio onde os nossos alvos habitam.
 Durante a evolução das marés muito mais se passa, quem pesca na costa fica refém da amplitude e ponto das mesmas para pescar em pontos específicos mais ou menos avançados mar dentro, um erro muito comum é em marés a vazar pescadores quererem avançar o quanto antes para pedras mais avançadas porque pensam que assim tem mais hipóteses de capturar peixe.
 Todos os pesqueiros tem pontos de água mas os mesmos interagem com as condições do mar, ondulação mais ou menos forte é o suficiente para colocar ou retirar um pesqueiro no ponto de água com as condições ideias para capturar peixes ou não.

A perder água ou a meter água no pesqueiro?

Há uma simples observação que podem fazer em ambientes mistos na costa, nos caneiros ou poças de água deixados a descoberto pela descida da maré atentem na vida animal dos mesmos enquanto a maré desce e voltem a ver os mesmos quando começam a chegar as primeiras águas da enchente, o resultado na esmagadora maioria é um dinamismo impressionante de várias espécies, onde anteriormente tínhamos visto alguns camarões, caranguejos ou cabozes agora vamos ver muitos mais , em deslocação e em maior dinamismo.
Não quero dizer que durante a baixa mar os mesmos não tivessem lá, na maior parte das vezes estão mas entocados ou escondidos E com a maré a encher sentem que é a altura de se movimentar, alimentar e deslocar, a vazar acontece o mesmo mas aos nossos olhos não é tão perceptível.

Os robalos e outros predadores acompanham estes movimentos, acompanham a maré, entram e saem dos pesqueiros, muitas das vezes devido à dinâmica da água outras tantas esperando a oportunidade de uma refeição.

Para quem se preocupa em registar as suas saídas de pesca e a formar padrões com o tempo vamos descobrir que há pesqueiros que são melhores com a maré a subir, outros exactamente o inverso e outros no decorrer das marés mediante a sua acessibilidade perante o coeficente de altura de maré sempre conjugado com o estado da agitação do mar, existirão ainda casos tanto de preia mar como baixa mar o mesmo pesqueiro é excelente, na realidade onde há água há peixe.

Há pesqueiros que de dia me deram alegrias escassas e pela noite tem sido palco de imensas alegrias

Para quem vive perto de estuários as cinergias  ainda são bem mais interessantes porque além de termos o próprio estuário para pescar nas praias adjacentes mediante a estação do ano os pesqueiros ficam mais ou menos repletos de vida..

Sobre pesqueiros e suas características há uma realidade absoluta, ou fazemos imensas pescas e vamos descobrindo os seus pontos de água ou temos que ter alguém que nos diga como os mesmos funcionam.

Aprendi muita coisa sozinho com muitas grades às costas mas aprendi muito com outros pescadores, não só aos que se dedicam à pesca com artificiais mas também com os senhores da chumbadinha ou surf casting..

O conhecimento dos pesqueiros é provavelmente a parte mais difícil da pesca, há pormenores , manias, pequenos truques que só o tempo nos dá ,  principalmente nos pesqueiros de ambientes rochosos menos mutáveis  vamos aprender onde o peixe ataca as amostras, é incrível como em ambientes repletos de pedra ano após ano vamos apanhando peixe sempre no mesmo local e a escassos metros ao lado raramente fazemos a festa..
Se me perguntam se tenho segredos na pesca, tenho, sobre amostras,técnicas e outros se o faço é inadvertidamente sobre os pontos de água a história é diferente.

Sei que não posso querer os pesqueiros só para mim mas depois de perder tanto tempo em alguns e acordar às 5 da manhã para chegar ao local e ver 15 pessoas penduradas nas pedras não posso dizer que seja um sonho que acalente ver muitas vezes , muito mais porque já passei por essa situação várias vezes.

Nunca entendi como na costa com uma massa tamanha de água e inúmeros pesqueiros por vezes assisto a romarias nos pesqueiros, chegámos a um ponto que não é preciso saber que deram 30 peixes num pesqueiro para que no dia seguinte estejam lá 20 pescadores, basta por vezes um único peixe para fazer essas movimentações.

Considero-me uma pessoa privilegiada em muitos aspectos, um dos quais com o decorrer dos anos ter feito excelentes amigos na pesca que vamos falando amiúde, por cada vez que soubesse onde andava a sair uns peixes fosse ter com eles seriam raras as vezes que pescava na zona onde pesco.

Para quem lê o robalosnaalma e me tem em consideração deixo aqui um pequena mensagem, a partilha de conhecimentos é vital, faz parte da nossa condição humana mas para aqueles que querem sentir a verdadeira essência da pesca não se preocupem em correr atrás dos peixes porque ouviram alguma coisa, insistam onde gostam de pescar, onde logisticamente vos é mais acessível, pratico e rápido, robalos há em todo o lado, conheçam a vossa casa e de quando em vez visitem os amigos e  acreditem que vão ter alegres e enormes surpresas.



11 comentários:

JFormigal disse...

Excelente escrita, como sempre! Abraço

Lachis Padela Vida disse...

Acabo de añadir tu blog en el mio.
Me gustan tus comentarios, te felicito.
Saludos.

Jaime Almeida disse...

Boa noite Amigo
Gostei do que li e de certeza irei reler mais vezes. Quero agradecer este post 5* e vou continuar atento aos ensinamentos do meu amigo.
Grande Abraço
Jaime Almeida

Os Pescas disse...



Boas Paulo..:-) A meu ver é muito importante e gratificante poder ajudar quem está a dar os primeiros passos ao spinning. Mas é muito importante que quem está a começar agora, entenda que vai ter que passar por uma aprendizagem e várias etapas, mas que isso demora tempo. Para que no futuro não precise de ir atrás de rumores e possa ele mesmo, saber o que está a fazer e o porquê!.

Um abraço

Luís Malabar

Pedro Soeiro disse...

Olá Paulo. Sei bem do que falas.
já lá vai tempo que dava ouvidos a muita gente. Agora, se ouço dizer que deu peixe a norte, eu vou para sul. E vou-me safando....
Com os verdadeiros amigos, a conversa já é outra.
Abraço.

Paulo Martins disse...

Boas Formigal,

Obrigado pelas palavras e por apareceres, o que faz falta é mar bom..:)

Abraço

Paulo Martins disse...

Olá Lachis,

Encontrei o teu blogue e achei super interessante, continua a alimentar o mesmo porque está muito bom.
Abraço

Paulo Martins disse...

Boas Luís,

O que infelizmente não há falta na pesca são rumores, não só de peixes e pesqueiros mas muita publicidade escondida que engana os menos atentos e experientes.
Cair e ser enganado também faz parte da aprendizagem, como pessoas e pescadores.
Abraço

Paulo Martins disse...

Olá Jaime,

Obrigado pelas palavras e mais ainda por apareceres.

Abraço

Anônimo disse...

Muito bom este blog. Pesco muito robalo aqui no Brasil, no litoral de Sao Paulo, de noite e de dia também. Nas praias, nos costões, na Foz dos Rios, especialmente no Rio Itanhaem.
Estive vendo as imagens desta Foz do Rio Douro, é muito bonita, deve ser muito bom pescar por ai.
Quem sabe um dia vou conhecer e pescar em Portugal, a terra dos meus avós, dos Guimaraes e dos Gonçalves.

Grande Abraço,e parabens pelo blog.
Alexandre Guimarães Gonçalves

M Nun disse...

Olá Paulo Martins.
Sou do Seixal e também gosto de dar as minhas varadas.
Muito bom post.
Muito fixe mesmo!!!!
Basta estar atento ao que escreveste. Há lá muita informação e muito saber.
Cumprimentos