Seguidores

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Backreeling no spinning de costa aos robalos

Backreeling no spinning de costa

Backreeling é uma técnica que se caracteriza por trabalharmos o peixe após a sua ferragem libertando ou recolhendo linha na luta com o peixe unicamente através da manivela do carreto com o drag completamente fechado.

Aprendi esta técnica pescando robalos à bóia especialmente pescando com caranguejo pilado onde muitas das vezes se ferram grandes exemplares, depois de a dominar utilizo-a em quase todas as técnicas de pesca que pratico.

Um drag nunca poderá fazer as funções de uma manivela de um carreto, uma manivela na luta com o peixe consegue fazer as funções do drag.

Por norma pesco com multifilamento 0,19 mm seguindo de um terminal de mono em fluorcarbono que ronda na maioria das vezes o 0,40 mm.
Os pesqueiros que frequento são extremamente rochosos, repleto de pedras mariscadas,na luta com os peixes muitas das vezes a linha contacta as superfícies rochosas podendo facilmente perder um peixe por ruptura da linha, onde entra aqui o backreeling?

Trabalhar com o drag a meu ver tem mais desvantagens que vantagens, obrigatóriamente se quisermos alterar o drag em acção de luta com um peixe temos que retirar a mão da manivela do carreto, não é muito prático ter que andar a fechar e abrir o drag, perdemos segundos nesta acção que por vezes serão fatais e resultar na perca do peixe
Quanto trabalhámos com o drag o peixe enquanto tiver força para retirar linha do carreto consoante a afinação que tivermos dado à embraiagem irá levar quanta linha quiser e na direcção que acha que pode ter sucesso de fuga, na maior parte dos casos as pedras o que vai implicar muitas das vezes a ruptura da linha por fricção contra as pedras , existem pesqueiros que frequento que se der mais de 5 metros de linha posso dizer adeus ao peixe.
Mesmo na rebentação já assisti a perda de peixes porque quando a escoa é forte o drag continua a libertar linha e o tempo que o pescador demora a fechar o drag e esperar por nova oportunidade para colocar o peixe a seco muitas das vezes o peixe escapa , noutras situações os pescadores fecharam o drag para recolher o peixe e não aproveitaram a vaga certa e a escoa apanhou o peixe e como não tiveram tempo para abrir o drag deu-se a ruptura da linha.

Na maior parte das situações o backreeling é a solução mais eficaz para trabalhar o peixe porque o pescador controla sempre a situação , porque está em contacto permanente com o peixe.
O Backreeling implica a que o pescador tenha uma perfeita noção do material que está a usar , tendo que ter absoluta confiança nos materiais assim como as suas limitações.
Temos que ter alguns aspectos em conta, as actuais linhas com que pescámos tem cargas de ruptura elevadas mas a carga de ruptura que é apresentada não é medida através de uma força continua, um peixe quando ferra o artificial e luta para se libertar não exerce essa força continua, exerce picos de força e é nesses picos de força que temos que estar atentos e ter a sensibilidade necessária para reter, ou dar linha, não nos podemos que vamos pescar com o drag fechado e quando um peixe exerce esse pico de força pode exceder essa carga de ruptura da linha.

O backreeling tem alguns aspectos fundamentais em acção de pesca:

A Cana
A ferragem:
A recolha e luta com o peixe

A Cana:

Prefiro canas com acção M ou MH, estas permitem-nos na maioria das situações ter a potencia necessária para forçar o peixe e travar a sua luta , isso vai acontecer quando em certas alturas não podemos dar linha nenhuma ao peixe para evitar que o peixe durante a sua luta não leve a linha a roçar estruturas rochosas e por imediata consequência fragilize a linha e leve à sua imediata ruptura

Todas as canas tem uma tensão máxima de freio do carreto que suportam até acontecer a ruptura da mesma, apesar da maior parte das canas que usámos não ter essa indicação temos que ter em conta que as linhas podem aguentar a tensão exercida pelo peixe mas a cana não, aqui só a nossa sensibilidade e experiência com a cana que usamos é que nos pode ajudar, mas as canas mais comuns no nosso mercado na luta com os robalos dificilmente partem por excesso de tensão no entanto convêm sempre ter este ponto em conta.

A ferragem:

Aquando da ferragem temos o drag completamente fechado, não nos podemos esquecer que a ferragem por vezes pode ser brutal , temos que ser rápidos e perceber se temos que dar linha ou apenas segurar o peixe sem manivelar nas suas primeiras investidas.
No Backreeling não há a margem de segurança que temos quando temos o drag regulado para determinada tensão, temos que estar concentrados e sermos extremamente rápidos a executar os movimentos com a manivela do carreto se for necessário dar linha ao peixe.

A recolha e luta com o peixe:

Depois da ferragem, já temos a percepção do tamanho do peixe que temos ferrado temos que cobrá-lo , aqui é que o backreeling mostra todas as suas capacidades, não temos que andar a fechar e a abrir drag, fazemos tudo com a manivela, é tudo mais rápido e eficaz conseguimos através da manivela e seu movimento, forçar o peixe de maneira a evitar contactos com estruturas ou dar linha rápidamente se o peixe assim o pedir ou a escoa o “apanhar”.

O backreeling parece ser pouco ortodoxo a verdade é que é extremamente eficaz e oportuno para a nossa costa rochoso, no inicio parece ser um pouco difícil de controlar mas depois da habituação dificilmente se volta a usar o drag do carreto..

8 comentários:

S. Ferreira disse...

Os profissionais americanos usam esta técnica para o achigã.
Já a testei em bailas grandes com sucesso, mas acho-a duvidosa para robalos de porte que arrancam de modo muito repentino inicialmente.

Um abraço.

Sérgio

Paulo Martins disse...

Boas Sérgio,

Depois de a ter dominado nunca utilizei mais outra técnica, já vi mais peixes a perderem-se porque o drag "deixou" que eles levassem a linha a roçar nas pedras do que a utilizar esta técnica.


Abraço
Paulo Martins

Sargollini disse...

Olá Paulo

Apesar de não concordar com a tua teoria, acredito que com bastante práctica se consiga obter quase os mesmos resultados.

Sou um adepto incondicional da embraiagem e é por isso que compro carretos topo de gama. No caso de trabalhares só com a manivela, basta comprares um carreto de gama média (com força) e tens o assunto resolvido mas, continuo a preferir trabalhar com a embraiagem.

Obrigado pela partilha


Um abraço
Sérgio

Paulo Martins disse...

Boas Sérgio,

Obrigado pela tua opinião, se todos pensarmos de maneira igual a pesca não evoluia:)
Eu tambem sou adepto de carretos top, a bolsa é que não agradece:), o drag dos carretos top são excelentes mas não é só pelo drag que se ve a qualidade de um carreto.
Compreendo a tua opinião, mas um dia tenta experimentar esta técnica, acredito que o momento mais dificil é o após ferragem,depois só consigo ver vantagens.

Obrigado e Abraço

Paulo Martins

Raúl Ribeiro disse...

Boas Paulo.
É válida a atitude se se pesca em zonas rochosas, pedras traiçoeiras e caneiros. Mas para aguentar as valentes cabeçadas do Robalo com o drag fechado, só com linhas potentes e escolhendo esta opção perco na animação da amostra e no lançamento.
Eu persigo, principalmente na embarcada, exactamente o contrário: linhas finas, drag bem afinado para sentir o prazer da captura.
Estamos a falar de pesqueiros sem comparação alguma, mas se pudesse optava sempre pela ligeireza do material empregue na captura.

Abraço.

Paulo Martins disse...

Boas Raul,

Temos que escolher o material em função do pesqueiro,entre a embarcada e a apeada vai uma grande diferença como disses-te.

Abraço
Paulo Martins

Corricador disse...

Boas Paulo.

Apesar de estar de acordo com maior parte do que escreves e do que practicas em acção de pesca, neste ponto sou obrigado a discordar.
A grande parte da minha experiencia na pesca com amostras é no corrico e aqui sim esta tecnica é eficaz e usei-a durante muitos anos mas temos que ter em atenção o seguinte:
-Usamos canas maiores que nos permite trabalhar o peixe nas investidas mais fortes.
-Os carretos são maiores e dámos mais linha por cada volta da manivela.
-Por norma usa-se monofilamentos que têm mais elasticidade que os multis.

No spinning não o acho 100% eficaz. Costumo trabalhar o peixe com a manivela do carreto mas também tenho o drag com uma ligeira folga porque se engatámos um peixe grande a poucos metros não temos tempo com a manivela de dar linha e aí temos o drag a ajudar. Também numa escoa forte o drag ajuda mas como na pesca e em tudo cada um de nós tem de se adaptar ao que melhor é para si e os gostos não se discute.

Acho muito importante seja em que condições forem nunca ter o carreto travado, eu tenho o meu sempre destravado e aprendi isto á custa dos robalos.

Um abraço

Paulo Martins disse...

Boas Pedro,

Eu sei que este assunto dificilmente gera consenso, cada um pesca da maneira que se sentirá mais confortável e eficaz, eu já não abdico desta mas percebo muito bem as reticencias de quem não concorda,eu mesmo as tive.

Grande abraço